
BRASÍLIA, 25 de maio de 2026 — Há atraso na entrega de insulina para o SUS em um dos principais contratos da área. A pendência é de mais de 1,57 milhão de doses. Esse volume representa cerca de 20% do total acertado na assinatura do acordo, em junho do ano passado. Resta apenas um mês para o encerramento do contrato.
Diante do atraso, o Ministério da Saúde notificou a Biomm, que precisou prestar esclarecimentos. A pasta assegurou que não há falta de insulina no SUS.
O acordo foi feito entre o Ministério da Saúde e a Fundação Ezequiel Dias (Funed), laboratório público de Minas Gerais. A produção da insulina, porém, é feita pela farmacêutica Biomm em parceria com o laboratório indiano Wockhardt.
As três partes formaram uma Parceria para Desenvolvimento Produtivo (PDP) aprovada em 2017. O objetivo era a transferência de tecnologia.
Até abril deste ano, a Biomm tinha como principal sócio um fundo do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Esse fundo, o Cartago FIA, foi liquidado em meio ao escândalo envolvendo o Master. As ações do fundo representavam quase 26% do capital social da Biomm. Elas passaram para o controle do Banco de Brasília (BRB).
O banco estatal, porém, vendeu essas ações para a gestora Alaska Asset Management.
A Wockhardt apresentou à Anvisa um pedido de alteração no processo de fabricação da insulina. A requisição ocorreu um mês após a assinatura do contrato. A Anvisa fez uma série de exigências em novembro. Após meses de análise, a agência decidiu em abril pelo indeferimento da modificação.
A empresa indiana também lida com questões tributárias no Brasil. A Gerais Comércio e Importação, representante dos indianos, consta como devedora de R$ 822 mil ao estado de Pernambuco.
A Funed apresentou notas fiscais no valor total de R$ 114 milhões referente às entregas de insulina. A última nota, NF 6146, foi apresentada em 27 de abril para 118.780 doses. O valor total contratado foi de R$ 142,1 milhões para pouco mais de 8 milhões de doses.
O montante pendente de notas fiscais equivale a 1.570.323 doses. Esse número representa 19,6% do total contratado. Na assinatura do contrato, a previsão era que a parceria atendesse a 50% da demanda nacional por insulina.
A PDP assinada em 2017 foi alvo de questionamentos e só gerou seu primeiro contrato no ano passado. As insulinas fornecidas são dos tipos humana regular e NPH.
O Ministério da Saúde vem assinando contratos emergenciais em sequência com laboratórios chineses. Esses fornecedores chineses vendem insulina sem registro na Anvisa para evitar desabastecimento.
NOTAS
Em nota, a Biomm afirmou que os contratos estão substancialmente atendidos. A empresa disse que notificações fazem parte do processo regular de monitoramento. Ela confirmou alterações recentes no cronograma de entrega, sem impacto no contrato.
As alterações decorreram de conflitos na região do Golfo e de restrições internacionais no fornecimento global. A farmacêutica informou que restam 3% do volume contratado (445.168 carpules). Os produtos estão prontos e aguardam trâmites de faturamento e liberações da Anvisa.
O Ministério da Saúde explicou que não há atraso na distribuição de insulina ao SUS. A pasta mantém envios regulares aos estados. Foram feitas contratações diversificadas para suprir a necessidade do país diante da crise global.
O ministério destacou que, com a retomada dessa política, o Brasil voltou a produzir insulina após mais de 20 anos. A pasta disse que acompanha a execução dos contratos de forma rigorosa.
No caso da Funed, foram executadas 85,7% das entregas.







