
BRASÍLIA, 28 de abril de 2026 — A esposa e os filhos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), entraram com uma ação por danos morais. O processo é contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado.
A família pede que o parlamentar pague R$ 60 mil de indenização. O motivo são declarações que associam o escritório Barci de Moraes ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Vieira foi notificado nesta terça (28). Em seguida, o senador afirmou que a ação é uma “tentativa de intimidação”. Além de Viviane Barci de Moraes, que chefia o escritório, também são autores da ação os advogados Giulliana e Alexandre Barci de Moraes. A peça judicial pede R$ 20 mil para cada um dos três autores.
A ação se baseia em uma entrevista do senador ao SBT News, em 15 de março. Na ocasião, Vieira disse que o Banco Master funcionava como uma “lavanderia” de recursos do PCC.
“Já é muito evidente que você tenha ali uma aparente lavanderia”, afirmou o parlamentar. Ele também mencionou “indicativos do pagamento de autoridades de diversos poderes”. Por fim, o senador disse ter informações sobre “circulação de recursos entre esse grupo criminoso e familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes”.
Para os autores da ação, a expressão “grupo criminoso” se refere ao PCC. Dessa forma, eles entendem que houve associação direta do escritório à facção. O senador, no entanto, sustenta que se referiu ao Banco Master.
“O que fiz foi relatar o processo provável de lavagem de dinheiro realizado por um grupo que contratou os serviços do escritório da família Moraes”, disse Vieira. Ele nega ter apontado ligação direta entre o PCC e o escritório.
DESFECHO DA CPI
A CPI do Crime encerrou os trabalhos em 14 de abril. O colegiado rejeitou o relatório de Alessandro Vieira. O documento pedia o indiciamento de três ministros do STF por crimes de responsabilidade.
Os ministros são Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Horas após a apresentação do relatório, Dias Toffoli criticou o parecer. O ministro disse que Vieira poderia ficar inelegível pelo pedido de indiciamento.
Depois da rejeição, Gilmar Mendes pediu que o senador seja investigado por abuso de autoridade.







