
BRASÍLIA, 17 de julho de 2026 — Um consórcio formado por empresas da mulher, do cunhado e do sogro do ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), venceu uma licitação bilionária no Porto de Santos.
A disputa aconteceu para operar um pátio de caminhões com 242 mil metros quadrados, o tamanho de 34 campos de futebol. O contrato, porém, está suspenso por decisão da Justiça desde o dia 16 de junho.
A Autoridade Portuária de Santos (APS) organizou a concorrência. Ela se baseou em um acórdão do TCU que o próprio ministro Dantas redigiu. Esse documento serviu de justificativa para as regras do edital.
O consórcio vencedor se chama Portolog. Ele é administrado por João Pedro Camargo, cunhado de Dantas. Outros sócios são a mulher do ministro, Camila Funaro, e o sogro dele, João Carlos Camargo.
A licitação teve apenas um concorrente habilitado. Um segundo consórcio foi desclassificado por problemas na documentação antes mesmo da fase de disputa. Por isso, o Portolog ficou sozinho na disputa.
A Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec) contestou o processo na Justiça. A entidade afirma que o prazo de 16 dias úteis para entregar as propostas foi muito curto. Além disso, ela diz que as regras do edital dificultaram a participação de grandes empresas do setor.
O Ministério Público Federal (MPF) também pediu a anulação da licitação. O órgão argumenta que as cláusulas do edital criam barreiras fortes contra os maiores operadores. Segundo o MPF, a APS violou princípios como isonomia e eficiência.
A defesa da APS, porém, diz que seguiu as orientações do TCU. O tribunal, no entanto, foi dividido na época. O relator original defendia uma disputa mais aberta. Já Dantas propôs restrições para evitar concentração de mercado. A visão dele venceu por 6 votos a 3.
O valor da proposta vencedora também gera dúvidas. O consórcio Portolog ofereceu R$ 289 mil por mês a partir do 36º mês. Para a Abratec, esse valor é baixo para um contrato avaliado em cerca de R$ 1 bilhão.
A Justiça já suspendeu e liberou a licitação em outras ocasiões. Em maio, o certame foi autorizado a seguir. Dias depois, o consórcio foi registrado. Em 16 de junho, uma nova decisão paralisou tudo novamente.
O contrato segue suspenso até hoje.







