
MARANHÃO, 25 de agosto de 2026 — Cerca de 100 participantes, entre prefeitos, gestores municipais e representantes de órgãos públicos, participaram nesta terça (25), de forma presencial e virtual, da reunião temática “Efeitos Climáticos do El Niño no Nordeste do Brasil e seus desafios para a Gestão Pública Municipal”.
O encontro foi realizado pela Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (FAMEM), em parceria com a Secretaria Especial de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (SEAF/SRI/PR), no Auditório Gervásio Santos, na Assembleia Legislativa do Maranhão (ALEMA), em São Luís.
A reunião tratou dos possíveis impactos do fenômeno El Niño e das mudanças climáticas sobre os municípios maranhenses, com foco em planejamento, monitoramento de riscos e medidas de resposta das administrações municipais.
Representantes do Governo Federal apresentaram ações e orientações relacionadas ao Painel El Niño. Participaram da programação integrantes da Casa Civil da Presidência da República, da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e de outros órgãos federais e estaduais ligados ao tema.
De acordo com o gerente de Assuntos Federativos para a Região Nordeste da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Eliseu Pinheiro, a iniciativa busca aproximar o Governo Federal dos municípios e fortalecer a atuação conjunta diante dos desafios climáticos previstos para os próximos anos.
“Sabemos que 2026 e 2027 serão anos bem especiais em relação ao clima e, no nosso Nordeste, a questão da estiagem, das secas e, em alguns municípios, a possibilidade de queimadas. O Governo Federal se preparou e já desenvolve várias ações junto aos municípios e ao Governo do Estado para minimizar os possíveis efeitos das mudanças climáticas”, destacou.
Segundo Eliseu, o encontro contou com a participação de representantes de 13 órgãos federais, entre eles IBAMA, IBGE, ABIN, Ministério da Saúde, INCRA, CONAB e Ministério do Desenvolvimento Social.
PREVENÇÃO E ARTICULAÇÃO
O presidente da FAMEM, Roberto Costa, defendeu a preparação antecipada dos municípios e a participação de órgãos federais, estaduais e de controle no acompanhamento dos possíveis impactos climáticos.
“Esses acontecimentos surgem e acontecem diretamente dentro do município, onde a população vive. Nesse momento de preparação, caso haja necessidade de intervenções, elas podem ser inesperadas. Por isso, é necessário também que os órgãos de controle estejam vivenciando todo esse acompanhamento para saber exatamente das dificuldades que poderemos ter no futuro”, afirmou.
Roberto Costa também citou a necessidade de segurança jurídica para que gestores municipais possam adotar medidas em situações emergenciais.
“Essa reunião tem uma importância grandiosa para que, caso aconteçam essas previsões climáticas divulgadas, a gente possa estar preparado para enfrentá-las e para que a população possa ter um sofrimento mínimo dentro desse processo”, acrescentou.
O superintendente do Ministério da Saúde no Maranhão, Alan Patrício, afirmou que a iniciativa integra uma estratégia nacional de coordenação voltada ao apoio a estados e municípios.
“O Governo Federal está organizando um trabalho nacional para que a gente possa ter uma coordenação que apoie as gestões estaduais e municipais. A FAMEM é uma grande parceira desse trabalho em função da coordenação que faz junto aos municípios”, explicou.
MARANHÃO SE PREPARA PARA PERÍODO DE QUEIMADAS
Durante o encontro, o secretário de Estado do Meio Ambiente, Paulo Matos, tratou das ações previstas pelo Governo do Maranhão para o período de queimadas.
Segundo ele, o governador Carlos Brandão anunciou decreto estabelecendo restrições às queimadas entre 1º de setembro e 31 de janeiro.
“Esse é um tema muito importante para todos nós. A ciência nos ajuda e temos avaliado esses impactos. Precisamos mitigar e fazer ações, mas discutir esse problema coletivamente, e é isso que está sendo feito”, afirmou Paulo Matos.
O prefeito de Alto Parnaíba, Rubens Sussumu, relacionou a discussão à realidade dos municípios com forte atividade agrícola.
“Nossa região é muito agrícola, e eu também sou agricultor. Fiquei muito satisfeito porque, pela primeira vez, vejo tanto o Governo Estadual quanto o Governo Federal se preocupando com essa questão climática. Viemos aqui para esclarecer os possíveis acontecimentos e os efeitos que podemos sentir”, afirmou.
O prefeito de Itapecuru-Mirim, Felipe Marreca, participou do encontro também como representante do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Itapecuru e da Comissão de Alteração Climática e Sustentabilidade da Frente Nacional de Prefeitos (FNP).
“Estamos aqui para trabalhar junto e fazer esse diálogo com o Governo Estadual e Federal. Já realizamos um trabalho de aproximação dos municípios, para uma relação mais colaborativa e participativa para o enfrentamento dessas alterações que estão chegando”, afirmou.
A reunião discutiu ainda formas de articulação entre União, Estado e municípios para o compartilhamento de informações técnicas, prevenção de riscos e definição de respostas a eventuais situações de emergência relacionadas ao clima.








