
SÃO LUÍS, 12 de agosto de 2026 — O Sindicato dos Jornalistas do Maranhão (Sindjor-MA) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiaram a operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
A medida mirou Raimundo Cutrim, ex-secretário de Estado do Maranhão. Ele é apontado como fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens sobre o suposto uso irregular de carros oficiais pelo ministro Flávio Dino e seus familiares.
A operação aconteceu na terça (11). A Polícia Federal pediu a ação, e a Procuradoria-Geral da República deu seu aval. Em nota, as entidades afirmaram que a decisão causa “grave preocupação”. Isso porque envolve o acesso a equipamentos e materiais usados na atividade jornalística.
As entidades destacaram que o sigilo das fontes é uma garantia constitucional. Ela está prevista no artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal.
O Sindjor-MA e a Fenaj pediram esclarecimentos públicos e formais sobre três pontos: os critérios que autorizaram o acesso às comunicações do jornalista com suas fontes; a garantia de que a investigação não vai perseguir outros informantes a partir do material apreendido; e a preservação integral dos equipamentos jornalísticos sob sigilo.
“Proteger o sigilo da fonte é essencial para a liberdade de imprensa e para o direito da sociedade à informação”, diz a nota. As entidades reforçaram que essa proteção deve ser respeitada em qualquer investigação que envolva jornalistas.
Em março, a PF já havia cumprido busca e apreensão contra o próprio Luís Pablo. Na ocasião, Moraes determinou a apreensão dos celulares e do notebook do comunicador. Os agentes devolveram os equipamentos dois meses depois.
Luís Pablo afirmou que a denúncia sobre os carros oficiais foi comprovada pela reportagem. Ele também disse que investigar fatos de interesse público não é crime.







