
BRASÍLIA, 15 de agosto de 2026 — O Committee to Protect Journalists (CPJ) manifestou, na sexta (14), preocupação com a quebra do sigilo da fonte do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A entidade afirmou que a medida cria um precedente perigoso para a liberdade de imprensa no Brasil.
O caso envolve reportagens de Luís Pablo sobre o uso de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino. Depois das publicações, Dino acusou o jornalista de perseguição. A investigação ficou sob responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes.
Em março, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca na casa do jornalista e apreendeu notebook e celulares. Nesta semana, agentes também fizeram operação na residência do ex-secretário Raimundo Cutrim. Segundo o CPJ, ele foi identificado após a quebra do sigilo da fonte.
A PF também cumpriu mandado na casa de um advogado por uma transferência de R$ 100 mil supostamente usada pelo jornalista para comprar um imóvel. A defesa afirmou que o valor serviu para adquirir uma propriedade rural. Luís Pablo criticou o uso de relações privadas para tentar atribuir a ele uma conduta criminosa.
Além disso, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) classificou a quebra do sigilo como grave ameaça ao jornalismo.
O CPJ alertou que a medida pode prejudicar a confiança entre jornalistas e fontes. A defesa disse não ter acesso à investigação, que corre sob segredo de Justiça. Segundo o CPJ, o STF não respondeu ao pedido de comentário.







