
BRASÍLIA, 03 de maio de 2026 — O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou por tempo indeterminado o afastamento do vice-prefeito de Macapá, Mário Neto (Podemos). A decisão, dada neste sábado (2), atinge também a secretária municipal de Saúde, Érica Aymoré, e o presidente da comissão de licitação, Walmiglisson Ribeiro.
Dino manteve a proibição de acesso dos investigados a prédios públicos e sistemas da prefeitura. O motivo apontado é a existência de indícios de tentativa de interferência direta nas investigações.
Dino ressaltou que a medida atende a um pedido da Polícia Federal (PF) feito na quinta (30). A PF solicitou que o afastamento fosse prorrogado por 120 dias ou pelo prazo que o ministro considerasse “adequado”. O pedido também contou com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Dino argumentou que os fatos sugerem uma ação coordenada com potencial de frustrar a eficácia das apurações. Ele também citou o risco de ocultação de provas.
Mário Neto é adversário do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Com a renúncia do prefeito Dr. Furlan (PSD) em março, o vice-prefeito poderia assumir o comando da capital. Para Dino, contudo, permitir esse retorno agora representaria risco direto às investigações.
Dessa forma, Macapá seguirá sob o comando interino do presidente da Câmara Municipal, Pedro da Lua. O parlamentar é aliado de Alcolumbre, e ambos são filiados ao União Brasil.
HISTÓRICO E ARTICULAÇÃO NO SENADO
A decisão de Dino foi proferida três dias após o Senado rejeitar a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, ao STF. A derrota do indicado do presidente Lula foi articulada por Alcolumbre. A rejeição contou com apoio de Dino, conforme apurou a reportagem.
Entre os episódios citados pelo ministro estão supostos pagamentos milionários feitos horas após a saída dos gestores. Há ainda relatos de retirada de HDs, invasões em setores sensíveis e dificuldades de acesso a sistemas públicos.
A investigação apura o possível desvio de cerca de R$ 129 milhões em emendas parlamentares destinadas ao município entre 2020 e 2024. O foco está em irregularidades em licitações, especialmente na obra do Hospital Municipal de Macapá.
Na avaliação do magistrado, o cenário de obstrução não apenas teria permanecido como teria se agravado nas últimas semanas.
Dino entendeu que era necessário prorrogar o afastamento para garantir a lisura das apurações.







