
BRASÍLIA, 07 de maio de 2026 — O governo Lula (PT) optou por manter o cartão de crédito consignado para aposentados do INSS no programa Desenrola 2.0, anunciado nesta segunda (4). O produto é considerado “predatório” por entidades de defesa do consumidor.
Diferente do empréstimo consignado tradicional, no qual o valor é descontado em parcelas fixas, o cartão de crédito consignado desconta apenas o pagamento mínimo automaticamente. O saldo remanescente entra no rotativo, com juros mais altos, podendo prolongar a dívida indefinidamente.
A maioria dos aposentados que contrata o produto usa-o para sacar dinheiro à vista, como um empréstimo disfarçado.
Pelo Desenrola 2.0, a margem total consignável do benefício caiu de 45% para 40%, mas o cartão foi mantido, limitado a 5% da margem. As mudanças constam da página 11 da apresentação do ministro da Fazenda, Dario Durigan.
O relatório final da CPMI do INSS, encerrado em março, sugeriu o fim do cartão. O relator Alfredo Gaspar (PL-AL) citou risco de “endividamento permanente” dos aposentados, juros mais altos e potencial de uso abusivo por bancos. Com a rejeição do relatório, Gaspar apresentou projeto independente, em início de tramitação na Câmara.
O cartão era um dos principais produtos explorados pelo Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. Em 2024, o banco chegou a ter 2,4 milhões de contratos do tipo no INSS, segundo o relatório da CPMI.







