
BOM LUGAR, 19 de junho de 2026 — Uma propriedade localizada às margens do rio Ipixuna-Açu, em Bom Lugar, estaria sendo alvo de invasões, ocupações irregulares e intervenções com potencial impacto ambiental. As denúncias são feitas pela família Reis, proprietária da área rural, que afirma possuir registro fundiário emitido pelo Estado do Maranhão.
Conforme os herdeiros, o imóvel possui 65,5 hectares, dos quais 5,53 hectares, correspondentes à Área de Preservação Permanente (APP), já foram inventariados e registrados em cartório. Conforme a família, justamente essa área protegida vem sendo loteada de forma irregular por terceiros.
De acordo com dados do Portal da Transparência, a Prefeitura de Bom Lugar recebeu recursos federais do Ministério do Turismo para pavimentar ruas abertas às margens do rio, em área que a família afirma integrar sua propriedade e que leva o nome do pai do atual prefeito, referente à gestão de 2008 a 2016.
Inclusive, verbas do Ministério da Educação financiaram a construção de uma creche. Os herdeiros alegam que ambas as obras foram executadas dentro da propriedade particular, sem qualquer comunicação ou autorização da família.
Além da disputa fundiária, a família afirma que o conflito compromete projetos ambientais e sociais desenvolvidos no local.
A área abriga babaçuais e sedia o Instituto Pedro e Luzia Reis, reconhecido como Sala Verde pelo Ministério do Meio Ambiente e responsável por ações de educação ambiental, recuperação de áreas degradadas e atividades em parceria com instituições de ensino superior.
Os herdeiros também denunciam a ocupação de um galpão da antiga usina pertencente à família. Segundo eles, Manoel Serafim de Sousa permanece no imóvel de forma clandestina, impedindo a implantação de cursos de extensão e de um jardim sensorial vinculado ao projeto da Sala Verde.
O advogado da família, Artur Bugarin, afirma que diversas ações judiciais foram propostas para garantir os direitos de propriedade e sucessão. Segundo ele, há suspeitas de favorecimento à grilagem no Judiciário local, por meio de decisões que reconheceriam direitos a terceiros sem documentação considerada idônea.
O advogado informou que denúncias foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Polícia Federal para apurar possíveis irregularidades, incluindo suspeitas de venda de decisões judiciais.
A família afirma ainda sofrer ameaças de morte e sucessivas violações de direitos. Diante da situação, pretende levar o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos, enquanto aguarda a conclusão dos processos judiciais e administrativos relacionados à propriedade.







