
BRASÍLIA, 21 de agosto de 2026 — O déficit primário estrutural do governo central dobrou em doze meses. Chegou a 1,4% do PIB no período até junho. Em 2025, era 0,7%. O dado é da Instituição Fiscal Independente (IFI) e foi divulgado na quinta-feira, 20.
Esse indicador tira receitas e despesas extraordinárias. Também ajusta os números pelos efeitos do ciclo econômico e do preço do petróleo. Assim, ele mostra a situação real das contas públicas sem fatores passageiros.
O resultado convencional também piorou. Saiu de um superávit de 0,1% do PIB para um déficit de 1,1%. A IFI diz que a piora veio principalmente do aumento do déficit estrutural. Além disso, as receitas extraordinárias e o componente cíclico perderam força.
As receitas não recorrentes caíram de R$ 87,2 bilhões para R$ 40,2 bilhões. As despesas não recorrentes foram de R$ 29,6 bilhões para R$ 17,4 bilhões. O saldo positivo dessas operações, então, recuou de R$ 57,6 bilhões para R$ 22,8 bilhões.
O componente cíclico também diminuiu: passou de 0,4% para 0,1% do PIB. Os economistas Rafael Bacciotti e Alexandre Andrade, autores do estudo, alertam que a piora estrutural e a expansão fiscal são pontos de atenção.
Eles lembram, por fim, que as receitas extraordinárias podem perder fôlego nos próximos meses.







