
BRASIL, 03 de agosto de 2026 — O déficit nominal do setor público ficou em R$ 1,3 trilhão nos 12 meses até junho de 2026. Esse valor equivale a 9,9% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado foi puxado pelos altos gastos com juros e pelo déficit primário.
O Banco Central teve ganhos de R$ 75,5 bilhões com swaps cambiais. Isso evitou que o índice passasse de 10% do PIB. Sem esse efeito, o rombo chegaria a 10,55%.
Os gastos com juros representaram 8,8% do PIB. Já o déficit primário ficou em 1,1%. Esse é o maior patamar desde abril de 2021. Naquela época, durante a pandemia, o indicador chegou a 10,2%.
Para 2026, o mercado projeta um déficit nominal de 8,7% do PIB. Esse número é maior que a média de 6% prevista para economias emergentes pelo FMI. Também supera as estimativas para 41 países da Economist Intelligence Unit.
A dívida bruta do governo geral também subiu. Ela chegou a R$ 10,8 trilhões, ou 81,9% do PIB. Esse é o maior nível desde abril de 2021.
O economista Fernando Montero acredita que o crescimento da dívida deve desacelerar no segundo semestre. As despesas com juros somaram R$ 1,1 trilhão. A Selic está em 14,25% ao ano. Ela indexa 74,5% desse total, ou R$ 864,3 bilhões.
A incerteza sobre o arcabouço fiscal mantém os juros elevados. Especialistas defendem reformas a partir de 2027. As propostas incluem mudanças nos gastos com saúde e educação. Também há ideias para desvincular benefícios do salário mínimo.
O Itaú Unibanco projeta déficit primário de 0,5% do PIB. Para o déficit nominal, a estimativa é de 9% até o fim do ano.







