
BRASÍLIA, 09 de outubro de 2026 — Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou que destinou dinheiro a um documentário sobre Lula após uma negociação para acessar recursos de fundos de pensão.
Segundo relatos e documentos obtidos pela revista VEJA, o banqueiro atribuiu as tratativas ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. O caso chegou à Procuradoria-Geral da República, mas não avançou.
Vorcaro disse que a aproximação começou por meio de seu então sócio Augusto Lima. Segundo ele, Lima chegou a Vaccari com ajuda do então líder do governo no Senado, Jaques Wagner.
O banqueiro afirmou que a negociação previa cerca de R$ 30 milhões em espécie para despesas de um documentário sobre Lula produzido no exterior, além de valores para o Instituto Lula.
O filme citado seria o documentário Lula, dirigido por Oliver Stone. Em áudio, Vorcaro afirmou que o dinheiro destinado à produção teria sido pago “por fora”. Além disso, disse que Vaccari teria exigido 10% dos valores que o Master conseguisse captar em fundos ligados à Caixa, Banco do Brasil, Petrobras e Correios.
Segundo Vorcaro, o acordo poderia render R$ 1 bilhão aos envolvidos caso o banco captasse R$ 10 bilhões. O banqueiro também relatou contatos com Alexandre Padilha, Olavo Noleto e operadores ligados ao grupo. Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro mostram contatos e reuniões, segundo a reportagem.
O Banco Master entrou, em abril de 2024, na lista de instituições autorizadas a receber recursos dos fundos estatais. Vorcaro afirmou que um operador identificado como Júlio cobrou R$ 500 mil no mesmo dia. Porém, a tentativa de captar grandes valores enfrentou problemas depois que uma operação de R$ 500 milhões com a Caixa veio a público.
Apesar das articulações relatadas, Vorcaro afirmou que não conseguiu captar os recursos pretendidos nos fundos federais. A PGR também não levou adiante o relato sobre os pagamentos ligados ao documentário.
Segundo informações, a justificativa foi a falta de provas, já que o dinheiro teria sido entregue em espécie. A defesa do banqueiro alegou possuir mensagens, registros e informações sobre as supostas entregas.
Lula afirmou que “jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira” e negou ter autorizado terceiros a receber dinheiro de Vorcaro em seu nome. Padilha e Noleto também negaram relação com o banqueiro. Além disso, não há prova de que Lula tenha se reunido com Vorcaro no encontro mencionado nas mensagens.
Vorcaro já teve duas tentativas de delação frustradas. A primeira perdeu credibilidade após investigadores apontarem omissão de fatos. A segunda também não avançou. O banqueiro trabalha agora em uma terceira proposta de colaboração com as autoridades.
















