
BRASIL, 02 de maio de 2026 — O governo Lula tenta reativar financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para obras no exterior. O país, porém, ainda enfrenta dívidas bilionárias não quitadas por Cuba e Venezuela.
Os contratos são antigos e o cenário reacende discussões sobre riscos de investir em mercados com histórico de inadimplência.
O presidente Lula sancionou uma legislação que permite a retomada dos empréstimos do banco. Os recursos servem para exportação de serviços de engenharia. Dessa forma, construtoras nacionais voltam a participar de projetos de infraestrutura internacional. A iniciativa, no entanto, gera debate sobre possíveis prejuízos ao erário público.
O BNDES financia empresas brasileiras para executarem obras em outros países. Caso o contratante estrangeiro não pague, o prejuízo é coberto pelo Fundo de Garantia à Exportação. Na prática, essa cobertura recai sobre os contribuintes. Afinal, é a União quem mantém o fundo.
A Venezuela acumula mais de US$ 1,2 bilhão em dívidas cobertas pelo fundo. Os valores referem-se a projetos como os metrôs de Caracas e Los Teques. Além disso, há débitos da Siderúrgica Nacional. O total inclui juros e atrasos acumulados.
Cuba tem US$ 676 milhões em atrasos. A maior parte dos débitos está ligada à construção do Porto de Mariel. O BNDES aceitou receitas da indústria cubana de charutos como garantia. O Tribunal de Contas da União (TCU), porém, considerou essa medida insuficiente posteriormente.
O Ministério da Fazenda informou à CNN Brasil que não há expectativa de recebimento dos valores em aberto. A pasta ressaltou que o governo prossegue com cobranças por vias diplomáticas. As negociações também ocorrem em fóruns internacionais. As dívidas acumulam juros.
A legislação recém-aprovada inclui mecanismos para mitigar novos calotes. Entre as mudanças, está a obrigação de o BNDES divulgar informações sobre os contratos. Inclusive, há proibição de novos financiamentos para países inadimplentes.
HISTÓRICO DAS CONSTRUTORAS
No auge das operações no exterior, as construtoras brasileiras chegaram a responder por quase 2,5% do mercado global de engenharia. Elas perderam espaço depois da Operação Lava Jato. A suspensão dos financiamentos também contribuiu para a perda de participação.
As dívidas de Cuba e Venezuela continuam a impactar o Brasil com dezenas de bilhões de reais em inadimplência.







