
BRASIL, 15 de julho de 2026 — Onze comercializadoras de energia no Brasil acumulam dívidas de mais de 6 bilhões de reais. É o que mostra um levantamento do jornal Folha de S.Paulo. As empresas estão em recuperação judicial ou extrajudicial. Essa é a pior crise do mercado livre de energia dos últimos anos.
Entre abril e maio, quatro empresas quebraram financeiramente. A 2W Ecobank deve 2,39 bilhões. A Tradener, uma das pioneiras do setor, acumula 1,7 bilhão. A Electra tem dívida de 1,3 bilhão. Já a Gold tenta renegociar mais de 1 bilhão por meio de recuperação extrajudicial.
Os preços da energia ficaram muito voláteis. Entre 2023 e 2025, choveu menos. Então, a geração de energia hidrelétrica caiu. Além disso, houve restrições para a geração renovável. Com isso, a oferta diminuiu e os preços oscilaram forte.
As empresas também tiveram que pagar mais garantias financeiras. Muitas venderam energia por um preço. Depois, esse valor não cobriu os custos dos contratos. Por isso, elas amargaram prejuízos.
O cofundador da Ynova, Guilherme Moya, explicou à Folha que muitas empresas fizeram apostas de risco. Elas compravam ou vendiam energia esperando alta ou baixa dos preços. Mas o mercado foi na direção contrária. Então, elas não conseguiram absorver as perdas.
A Electra também culpa uma mudança no cálculo do preço da energia. O novo modelo aumentou a volatilidade e reduziu a liquidez do mercado.
O Ministério de Minas e Energia disse que acompanha a situação. Mas afirma que não há risco de crise geral no setor.
A Câmara de Comercialização e a Aneel estudam medidas para fortalecer as garantias e evitar novos calotes.







