
BRASÍLIA, 29 de julho de 2026 —O pedido para criar a CPI do Banco Master no Senado está parado no STF há mais de quatro meses. O ministro Kassio Nunes Marques é o relator do caso. Ele não tomou nenhuma decisão desde 25 de março, quando o mandado de segurança foi protocolado.
O requerimento tem 53 assinaturas de senadores. Esse número supera o mínimo de 27 exigido pela Constituição.
A ação foi apresentada por senadores como Alessandro Vieira e Eduardo Girão. Eles cobram uma resposta do Supremo. O motivo é a falta de ação do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, que não instalou a comissão.
Desde 2005, a jurisprudência do STF garante que CPIs com assinaturas suficientes devem ser abertas na hora. Não é preciso aprovação do presidente do Senado.
Esse entendimento valeu para a CPI da Covid em 2021. Na época, o então presidente Rodrigo Pacheco resistiu, mas a comissão foi instalada. Nunes Marques apoiou aquela decisão. Porém, ele disse que o Legislativo poderia avaliar o melhor jeito de conduzir os trabalhos.
Agora, porém, o ministro não arquivou nem deu andamento ao pedido do Master. Já se passaram 125 dias desde a entrada do processo.
A demora beneficia Alcolumbre, que teve um aliado investigado pela PF por um investimento de R$ 400 milhões da Amprev no Master. Além disso, ministros do STF são citados no escândalo. Alexandre de Moraes trocou mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro no dia da prisão dele. A esposa de Moraes assinou contrato de R$ 129 milhões com o banco.
Dias Toffoli vendeu parte de um resort para o cunhado de Vorcaro. O Banco Master também transferiu R$ 6,6 milhões para uma empresa que repassou R$ 281,6 mil ao filho de Nunes Marques, segundo o Coaf.







