
BRASÍLIA, 27 de abril de 2026 — O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda não decidiu sobre a ação que pede a instalação da CPI do Banco Master. O pedido foi protocolado há um mês pelos senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Alessandro Vieira (MDB-SE).
O relator não assinou nenhum despacho nem indicou qualquer encaminhamento até o momento. Além disso, ele não analisou a solicitação para redistribuir o caso ao ministro André Mendonça. Este último é o responsável por investigações relacionadas ao Banco Master no STF.
A falta de decisão impede a abertura de uma nova linha de apuração sobre o caso. Parlamentares avaliam que a situação afeta diretamente o andamento das investigações. Enquanto isso, o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa negociam um acordo de colaboração premiada.
CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROCESSO
Em 12 de fevereiro, o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do processo. A Polícia Federal enviou ao presidente da Corte, Edson Fachin, um documento com cerca de 200 páginas.
Esse documento lista indícios de conexões entre Vorcaro e Toffoli. Entre os pontos citados está o pagamento de R$ 35 milhões por uma participação no Tayayá Resort. Toffoli declarou ser sócio desse resort.
Outro ponto citado envolve o ministro Alexandre de Moraes. O caso menciona um contrato de R$ 129 milhões com o escritório de Viviane Barci de Moraes. Ela é mulher do ministro do STF. Há também menções a ligações entre Vorcaro e o próprio Nunes Marques.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o banco transferiu R$ 6,6 milhões para a Consult. Essa empresa realizou pagamentos ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro, em 2024 e 2025.
Girão criticou a condução do caso. “É injustificável, inadmissível e extremamente desrespeitoso o que Kassio faz, não comigo, mas com o Brasil”, disse o senador.
A Constituição assegura o direito de minorias parlamentares criarem CPIs quando cumprem os requisitos legais.
No caso do Banco Master, 34 senadores apoiam a iniciativa, número superior ao mínimo exigido por lei.







