
SÃO LUÍS, 06 de maio de 2026 — Mais de 2 mil moradores da Vila Cascavel, zona rural de São Luís, utilizam água de um poço artesiano que apresentou contaminação comprovada por laudos da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA).
O problema ocorre desde o ano passado e, segundo relatos, provocou sintomas como micoses, dores estomacais e irritações na pele, após consumo e uso diário da água.
Desde então, os moradores passaram a desconfiar da qualidade da água e solicitaram análises laboratoriais. Os exames realizados pelo laboratório de microbiologia de alimentos e água da UEMA confirmaram a presença de substâncias irregulares.
O primeiro laudo, emitido em julho do ano passado, apontou níveis elevados de ferro, concentração de manganês acima do permitido e pH ácido. Além disso, foram detectados coliformes totais e a bactéria Escherichia coli, indicativo de contaminação fecal.
Posteriormente, em abril deste ano, uma nova análise confirmou a permanência da contaminação. O manganês continuou fora dos padrões, enquanto o índice de fósforo total atingiu um valor 52 vezes superior ao limite permitido, agravando ainda mais a situação do abastecimento local.
Os níveis elevados dessas substâncias, associados ao pH inadequado, podem causar irritações na pele, desconfortos no organismo e outros problemas de saúde, principalmente com o uso contínuo da água. Moradores relataram coceiras intensas, surgimento de bolhas e agravamento de sintomas mesmo com uso de medicação.
AÇÃO JUDICIAL
Moradores acionaram o Ministério Público, que ingressou com ação civil pública na Justiça. O pedido, formalizado em fevereiro deste ano, solicita a responsabilização do Prefeitura de São Luís e da CAEMA, além da manutenção imediata dos poços e pagamento de indenização por danos morais coletivos.
Enquanto isso, moradores cobram providências urgentes das autoridades, alegando que o consumo da água contaminada continua afetando a saúde da população. A comunidade também questiona a ausência de soluções definitivas para o abastecimento seguro.
Em resposta, a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão informou que não é responsável pela instalação de poços artesianos, atribuindo a execução à Fundação Nacional de Saúde em parceria com a Prefeitura de São Luís.
Ainda assim, a CAEMA declarou que realizará diagnóstico técnico no local e encaminhará os resultados aos órgãos competentes.
Por outro lado, a Secretaria Municipal de Obras afirmou que a responsabilidade pelos problemas é da companhia estadual. Após novo questionamento, a empresa reiterou que o poço é de responsabilidade do município, mas sinalizou a possibilidade de cooperação técnica para garantir o abastecimento da comunidade.
O Ministério da Saúde ainda não se pronunciou sobre o caso.







