
BRASIL, 29 de maio de 2026 — O terceiro mandato do presidente Lula (PT) chega à reta final carregando uma marca trágica para o setor produtivo. Em meio ao caos fiscal, juros elevados, crédito dificultado e famílias endividadas, o Brasil alcançou em 2025 o maior número de recuperações judiciais de sua história.
A onda de balanços negativos e a séria deterioração financeira de empresas símbolos nacionais do varejo e da indústria transformaram-se em um problema para a campanha de Lula à reeleição. Elas contradizem o discurso governista de ótimo momento para a economia brasileira.
Levantamentos de consultorias como RGF & Associados e Serasa Experian mostram que 5,3 mil empresas encerraram 2025 sob proteção judicial para renegociar dívidas, salto de 24% em relação ao ano anterior. Só no último trimestre, 510 pedidos foram registrados, com R$ 40 bilhões em dívidas.
O cenário atingiu em cheio setores dependentes de crédito e consumo das famílias, como varejo, vestuário, móveis e brinquedos. Marcas associadas à estabilidade empresarial passaram a simbolizar a fragilidade financeira do ambiente econômico brasileiro e a crise existencial no setor produtivo.
OPOSIÇÃO DESTACA QUEBRADEIRA DE EMPRESAS ACIMA DA PANDEMIA E DILMA
Parlamentares da oposição afirmam que o governo criou as condições para o ambiente hostil ao setor produtivo, marcado por insegurança regulatória, aumento da carga tributária, expansão de gastos públicos, juros persistentemente elevados e baixa confiança de investidores.
Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, rebateu nas redes sociais o discurso otimista do governo sobre a economia, lembrando que o setor produtivo amarga o “elevado custo do dinheiro” e a irresponsabilidade fiscal. “A inadimplência e as recuperações judiciais batem recordes”, diz.
Para o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), dados de mercado mostram explosão de pedidos de recuperação judicial a partir de 2025, superando largamente as crises econômicas de 2016 e da Covid-19. “É mais fácil uma empresa sobreviver à pandemia do que a um governo petista”, protestou.
LULA INTERROMPE O CICLO DE QUEDA DE RECUPERAÇÕES JUDICIAIS ESDE 2017
O atual mandato de Lula encerrou o ciclo de queda no número de empresas em recuperação judicial, iniciado após a gestão Dilma Rousseff (PT). Em 2014, eram 828. O número disparou e chegou a 1.863 em 2016, auge da recessão, da crise fiscal e da desconfiança que levaram à queda da petista.
Após esse pico, houve gradual melhora. No governo Michel Temer (MDB), os números recuaram para 1.420 em 2017 e 1.408 em 2018. O indicador seguiu cedendo no governo de Jair Bolsonaro (PL): 1.387 em 2019, 1.179 em 2020 e 891 em 2021, apesar dos impactos da pandemia.
Em 2022, último ano do governo passado, o país atingiu o menor patamar da série recente, com 833 empresas em recuperação judicial. A reversão começou a partir de 2023, já na gestão Lula. O número saltou para 1.405 naquele ano, avançou para 2.273 em 2024 e explodiu para 5.280 em 2025.
Trata-se de uma alta de 276% em relação ao início do atual governo e do maior nível da série histórica apresentada, situação inversa à de 2022. O mercado espera que até 8,3 mil empresas possam falir este ano, indicando agravamento da crise de crédito, da inadimplência e do custo financeiro.







