
BRASIL, 11 de agosto de 2026 — O gasto militar do Brasil disparou para US$ 23,9 bilhões em 2025, alta real de 13% em relação ao ano anterior — mais de quatro vezes a média mundial, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em iglês).
Apesar do aumento, uma parcela cada vez maior dos recursos continua destinada ao pagamento de militares inativos (aposentados e pensionistas), que hoje já custam mais do que o efetivo na ativa.
Segundo dados do Observatório de Pessoal do Ministério da Gestão, a folha de aposentados e pensionistas cresceu mais de duas vezes mais rápido que a de ativos e segue pressionando o orçamento de defesa. Em 2020, para cada real gasto com militares na ativa, outros R$ 1,63 iam para inativos. Em 2025, já eram R$ 1,82.
Os gastos com militares inativos saltaram de R$ 50 bilhões para R$ 60,7 bilhões entre 2020 e 2025, uma alta nominal de 21,4%. Já as despesas com pessoal militar ativo cresceram 9,2% entre 2020 e 2025, passando de R$ 30,6 bilhões para R$ 33,4 bilhões.
GASTO MILITAR DO BRASIL NA CONTRAMÃO DAS AMÉRICAS
A disparada nos gastos militares em 2025 colocam o Brasil na contramão do restante das Américas: os gastos no continente recuaram 6,6% em termos reais no período.
Com isso, o país consolidou a liderança em gastos com a Defesa na América do Sul. Em escala global, o Brasil ocupa a 21ª posição no ranking dos maiores orçamentos militares.
Apesar da aceleração recente, o esforço brasileiro continua pequeno em comparação internacional. O dispêndio militar brasileiro representou apenas 1,1% do PIB em 2025, contra média mundial de 2,5%, também segundo o Sipri. Uma razão histórica é que o Brasil não participa diretamente de um conflito armado desde a Segunda Guerra Mundial.
A última vez que o paíse envolveu em conflitos foi há oito décadas com o envio de tropas e equipamentos para apoiar o Quinto Exército dos EUA na libertação de cidades italianas durante a Segunda Guerra.
O território nacional não sofre invasão há mais de 160 anos, desde a ofensiva paraguaia ao Mato Grosso, em 1864.







