
BRASIL, 12 de agosto de 2026 — A Bolsa de Valores do Brasil (B3) vive um momento de turbulência. Faltando menos de dois meses para as eleições, os investidores estrangeiros estão tirando dinheiro do país.
Só no dia 10 de agosto, eles retiraram R$ 1,7 bilhão do mercado secundário de ações. Esse é o ambiente onde os investidores compram e vendem ativos já listados entre si.
Com esse resultado, a B3 acumulou cinco pregões seguidos com mais saída do que entrada de recursos. No total de agosto, o déficit já chega a R$ 7,2 bilhões. No dia 11, o Ibovespa caiu 2,55% e fechou aos 167,8 mil pontos, o pior nível desde 20 de janeiro. O dado do pregão do dia 11 ainda não foi divulgado pela B3.
Dois fatores ajudam a explicar essa queda. O primeiro é o rebaixamento do J.P. Morgan, que mudou a recomendação para a bolsa brasileira de “compra” para “neutra”.
O segundo é a inflação de julho, que subiu 0,07%, acima dos 0,03% esperados pelo mercado. Além disso, a ata do Copom mostrou um tom duro e cauteloso sobre os juros. Isso esfriou o ânimo dos investidores.
Lá fora, as tensões no estreito de Ormuz também pesaram. O Irã afirmou que não reabrirá o local sem que suas condições sejam atendidas. Com isso, as bolsas internacionais devolveram os ganhos e aumentaram a aversão ao risco.
Os investidores também esperam os dados de inflação dos Estados Unidos, que podem definir os próximos passos do Federal Reserve. Por isso, a postura foi defensiva.
O EWZ, principal fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, voltou a ficar abaixo da média móvel de 200 dias. Isso interrompeu uma tendência de alta que vinha desde julho, quando o fundo havia subido 6,3%. Analistas do J.P. Morgan afirmam que a volatilidade deve aumentar e limitar a valorização dos ativos nos próximos meses.
Eles lembram que o Brasil tende a ter desempenho inferior nos seis meses que antecedem as eleições.







