
BRASÍLIA, 15 de julho de 2026 — O Banco Master contratou o escritório Barci de Moraes para fazer um parecer sobre captação de recursos de previdência. Esse escritório tem ligação com a família do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
A consulta partiu do superintendente de compliance da época, Fabio de Souza Castanheira. O banco enfrentava questionamentos no mercado naquele momento.
O documento foi feito em julho de 2024, segundo o portal Metrópoles. Ele dizia que o Master podia receber investimentos dos fundos previdenciários. Porém, o relatório também alertava para riscos de corrupção e conflitos de interesses.
Três advogados do escritório assinaram o parecer. Entre eles estavam uma filha e uma cunhada do ministro do STF.
Na época, o Master já tinha credenciamento para captar recursos do Rioprevidência. Também estava autorizado a receber verbas dos fundos de Cajamar (SP) e Maceió (AL). A instituição ainda negociava com as cidades de Campo Grande (MS), Paulista (SP) e Osasco (SP).
Meses antes, a Caixa Econômica Federal tinha recusado comprar R$ 500 milhões em letras financeiras do Master. O banco público identificou papéis atípicos e de alto risco.
Depois disso, a Polícia Federal abriu pelo menos quatro investigações sobre aplicações de recursos da previdência em fundos ligados ao Master. A principal apuração envolve R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência. Nesse caso, agentes fizeram buscas em endereços do ex-governador Cláudio Castro (PL).
O Ministério Público Federal afirma que os recursos captados ajudaram a sustentar o Master depois da negativa da Caixa.
O escritório Barci de Moraes também fez outros serviços para o banco. O contrato de fevereiro de 2024 previa R$ 129 milhões. Desse total, o Master pagou R$ 80,2 milhões. Foram 22 parcelas mensais de R$ 3,6 milhões.
Os pagamentos ocorreram de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, antes da intervenção do Banco Central.







