Dino é “juiz” de 18 políticos do Maranhão no STF

SÃO LUÍS, 27 de agosto de 2026 – Desde que tomou posse no Supremo Tribunal Federal, em 2024, Flávio Dino passou a concentrar em seu gabinete uma sequência de ações, petições e investigações relacionadas à política do Maranhão. Levantamento feito com dados do Corte Aberta identificou mais de 15 procedimentos que alcançam políticos, ex-aliados, adversários e integrantes do TCE-MA. A influência do ex-governador, e agora ministro, no futuro de dezenas de políticos influentes no estado é indiscutível. Entre os “julgados” por Dino estão Roberto Rocha, Juscelino Filho, Pedro Lucas Fernandes, Josivaldo JP, Carlos Brandão, Weverton Rocha, Josimar de Maranhãozinho e Márcio Honaiser. O caso mais recente citado no levantamento foi protocolado em abril e envolve o homicídio ocorrido no escritório Tech Office. Um dos envolvidos tenta relacionar o episódio ao presidente afastado do Tribunal de Contas do Estado, Daniel Brandão. O processo também chegou ao gabinete do ministro e produziu medida direta contra o comando da Corte de Contas. A relação inclui o governador Carlos Brandão, adversário declarado de Dino, deputados federais, ex-deputados, senador, ex-senador, conselheiros e ex-integrantes do governo Lula. Dessa forma, decisões tomadas no Supremo passaram a produzir efeitos concretos tanto na política estadual quanto no funcionamento de instituições maranhenses. TCE ESTÁ NO CENTRO DE PARTE DOS PROCESSOS Três ações diretas de inconstitucionalidade, as ADIs 7603, 7605 e 7780, questionam regras do Regimento Interno da Assembleia Legislativa e o rito usado para escolha de conselheiros do TCE-MA. Algumas tramitam desde fevereiro de 2024 e, apesar do tempo decorrido, ainda não tiveram um desfecho definitivo. O efeito dessas disputas ultrapassou o campo judicial. Os processos interferiram no andamento de procedimentos da Assembleia e contribuíram para manter vagas abertas no Tribunal de Contas. Assim sendo, uma discussão inicialmente restrita ao rito de escolha passou a afetar diretamente a composição do órgão responsável pela fiscalização das contas públicas estaduais. Outro processo relacionado ao TCE é a PET 14.355/MA. A investigação apura um suposto esquema de compra e venda de vagas de conselheiro, pagamentos ligados a aposentadorias precoces e possíveis interferências político-institucionais. A apuração alcança personagens próximos à cúpula da administração estadual. PET 14.355 VIROU EIXO DE NOVOS CASOS A reação do governador Carlos Brandão ocorreu por meio da ADPF 1351, apresentada com o objetivo de interromper as investigações relacionadas à PET 14.355. Entretanto, segundo as informações reunidas pelo portal, o processo acabou servindo como referência para o encaminhamento de outras ações e petições ao mesmo gabinete. Na prática, a PET 14.355 teria funcionado como uma espécie de porta de entrada processual. A partir dela, novas petições, habeas corpus e procedimentos ligados à política do Maranhão chegaram ao gabinete de Flávio Dino por prevenção, isto é, sem necessidade de novo sorteio quando reconhecida conexão entre os casos. A relação com a ADI 7780 também foi utilizada como fundamento para esse encaminhamento. Dessa maneira, controvérsias diferentes passaram a ser reunidas em torno de processos considerados relacionados, aumentando progressivamente o número de questões políticas maranhenses submetidas ao mesmo relator. JUSCELINO E PEDRO LUCAS TAMBÉM APARECEM O deputado federal Juscelino Filho, ex-ministro das Comunicações, aparece em investigação sigilosa anexada às Petições 10.846, 11.374 e 11.469. Além dele, o empresário Eduardo DP e outros investigados figuram no procedimento, que também acabou sob responsabilidade do gabinete do ministro no Supremo. Em novembro do ano passado, Dino determinou a abertura de inquérito pela Polícia Federal para investigar o deputado Pedro Lucas Fernandes. A apuração trata de suspeitas relacionadas à aplicação de R$ 1,25 milhão em emendas parlamentares destinadas ao município de Arari. A determinação ocorreu dentro da ADPF 854, conhecida como ADPF das Emendas. Nesse processo, o Supremo passou a discutir critérios de transparência e rastreabilidade do dinheiro transferido por parlamentares. Por conseguinte, novas apurações sobre recursos destinados ao Maranhão também passaram a ser abertas. EMENDAS PIX LEVARAM OUTROS NOMES À PF A ADI 7688 acrescentou mais parlamentares maranhenses à relação. Josivaldo JP, Josimar de Maranhãozinho, Márcio Honaiser e Pastor Gil entraram em apurações sobre possíveis irregularidades envolvendo as chamadas emendas Pix. A ação também está sob relatoria do ministro. Determinações relacionadas à fiscalização dessas transferências alcançaram ainda os ex-deputados Silvio Antônio, Zé Carlos e João Marcelo Souza, atual superintendente regional do DNIT. Conforme a documentação citada, auditorias técnicas do TCU serviram de base para parte das providências adotadas. Os levantamentos identificaram indícios de superfaturamento, possíveis fraudes em licitações e ausência de comprovação de serviços em repasses de milhões de reais. Nesse sentido, a fiscalização das emendas tornou-se outro caminho pelo qual políticos maranhenses passaram a aparecer em procedimentos conduzidos no Supremo. HOMICÍDIO NO TECH OFFICE CHEGOU AO GABINETE A PET 15.900 acrescentou um episódio ainda mais sensível à lista. O processo está relacionado ao homicídio ocorrido no Tech Office e às tentativas de um dos envolvidos de relacionar o caso ao presidente do TCE-MA, Daniel Brandão. Foi nesse procedimento que houve decisão para afastá-lo da presidência por 180 dias. Além disso, a PET 15.437 apura fatos relacionados ao afastamento cautelar e à busca e apreensão contra o agente da Polícia Federal Edivar Rodrigues dos Santos. Durante o avanço das diligências, surgiram elementos que relacionaram o senador Weverton Rocha a uma possível obstrução da Justiça. A referência ao parlamentar apareceu depois da quebra de sigilo telefônico realizada durante as apurações. Dessa forma, um processo inicialmente ligado à atuação de um agente federal passou a alcançar também um senador maranhense, ampliando novamente a dimensão política dos casos sob análise. RAIMUNDO CUTRIM APARECE EM INQUÉRITO SIGILOSO A PET 16.356 envolve o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim. Mesmo sem exercer atualmente cargo que lhe assegure foro por prerrogativa de função perante o STF, ele aparece em um inquérito sigiloso que permanece sob a relatoria de Flávio Dino. O procedimento investiga suspeitas de obstrução da Justiça, coação no curso do processo, corrupção e peculato. Segundo as informações disponíveis, os fatos apurados teriam ocorrido entre 2022 e 2026, período que alcança diferentes momentos da política e da administração pública estadual. Outro processo, a PET 15.441, tem entre seus requerentes

Jornalistas maranhenses relatam ameaças após críticas a Dino

MARANHÃO, 17 de agosto de 2026 — Relatos recebidos no fim da tarde desta segunda-feira (17) apontam que jornalistas maranhenses passaram a receber ameaças e recados sobre possíveis retaliações judiciais e uma suposta operação policial. Segundo as fontes, as advertências teriam relação com matérias críticas ao ex-governador Flávio Dino. Os nomes mencionados são José Linhares Jr., Lourival Bogéa, Leandro Miranda, Domingos Costa, Marcelo Minardi e Luís Pablo. Todos receberam, por diversas fontes, a informação da suposta operação. Conforme as informações repassadas ao titular do blog, pessoas ligadas ao ex-grupo político do ex-governador teriam sido os principais difusores da suposta operação contra os jornalistas maranhenses. Uma das fontes que confirmou o relato afirmou que os profissionais deveriam “desacelerar” o noticiário ao ex-governador. A frase foi interpretada por alguns como ameaça velada, pois veio acompanhada de referências a possíveis consequências judiciais e policiais para jornalistas maranhenses. CASO LUÍS PABLO AMPLIA ALERTA O ambiente ganhou novo peso depois que o caso de Luís Pablo alcançou repercussão nacional. O jornalista foi alvo de busca e apreensão após publicar reportagens sobre o uso de uma Toyota SW4 oficial do TJMA por Flávio Dino e familiares, episódio que ampliou o debate sobre sigilo da fonte e liberdade de imprensa. Luís Pablo nega ter monitorado Dino e afirma que trabalhou com informações recebidas de fonte jornalística. FENAJ, Abraji, ANJ, Abert e Aner manifestaram preocupação com medidas que alcançaram o jornalista e pessoas apontadas como fontes. Dino nega irregularidades e sustenta que houve monitoramento de seus deslocamentos e de familiares. As informações da tarde desta segunda indicam que os jornalistas maranhenses citados poderiam ser atingidos por novas medidas caso mantenham a cobertura crítica envolvendo o ex-governador. Até esta publicação, a suposta operação mencionada pelas fontes não tinha confirmação oficial.

Lahesio, o cavaleiro que desmonta do próprio cavalo

Lahesio Bonfim

E lá vai Lahesio Bonfim, ex-xerife da direita maranhense, guardar as esporas depois de semanas jurando que Eduardo Braide tentou comprá-lo com um pix eleitoral vitaminado. Agora enche o peito para falar fino: “penso no Maranhão”, como quem troca a indignação por um vale-refeição. O problema? Quando se acusa o mercador de tentar comprar tapete e depois se deita no mesmo tapete, o público conclui rapidinho: ou a mercadoria era boa, ou o discurso era lorota. Quem acompanha Bonfim lembra das lives recentes inflamadas em podcasts: ele jurava ter resistido a “maletas de dinheiro” e “promessas indecentes” vindas do staff de Braide. Ora, se hoje o herói pendura a capa na mesma cabideira de quem acusou de corruptor, há duas versões possíveis: ou a oferta melhorou subitamente, ou a moral do cavaleiro era inflável desde o começo. O fato, meus caros e caríssimas, é que ambas ferem o eleitor que engoliu a narrativa da pureza ideológica. É aqui que o roteiro beira o pastelão: o eleitorado de direita vê seu antigo porta-bandeira abrir alas para um prefeito que desfilou ao lado da turminha de Flávio Dino nos últimos meses: Othelino Neto, Carlos Lula e Rodrigo Lago. É como passar o ano inteiro dizendo que sarapatel é água suja e, na hora da Ceia de Natal, botar um panelão de sarapatel na mesa. Mais grave: a desistência mata a pluralidade do pleito. Fica Braide (com Dino nos bastidores) de um lado e Brandão do outro, enquanto Roberto Rocha (que foi enganado por Lahesio) decide se vira tapete persa ou capacho de aeroporto. A chamada terceira via de direita vira beco sem saída, pintado de cinza. Quem buscava uma opção de verdade agora olha a mesa e só encontra ou um tapete puxado a qualquer momento ou uma carne assando sem tempero. E antes que alguma bobão afirme que Braide é de direita assim como Lahesio, bora lá!  Braide nunca foi de direita e nunca fez questão sequer de demonstrar isso! Quem duvidar que procure. O irmão Fernando faz dobradinha com a turma do PCdoB na Assembleia, e o próprio Eduardo foi líder do primeiro governo Flávio Dino. Ligar-se a Braide é pendurar retrato na galeria do ministro do STF que, dia sim outro também, dispara adjetivos radiativos contra a direita perseguida que Lahesio dizia representar. É como prometer suco detox de cupuaçu e, na hora de servir, entornar um copão de tiquira quente: o freguês engasga, mas a piada é só do vendedor. Imaginar que os dinistas permitirão a um direitista ocupar uma cadeira no Senado é acreditar em boto-cor-de-rosa em pleno Rio Anil: bonito na lenda, mas ninguém prova que existe. Dino move peças como quem joga dominó numa mesa que já conhece de cor; quando a última pedra cai, só sobram espaços para aliados de confiança: Eliziane, Roseana ou na pior das hipóteses, Fufuca e Weverton. Qualquer um serve! Menos nunca um “outsider” que passou a vida chamando o ministro de tirano. Lahesio apostar nessa reviravolta soa como o inocente que leva cuscuz para trocar por carro na feira do Nhozinho Santos (ainda existe?). Volta para casa de mãos abanando e ainda paga o estacionamento. Quanto à promessa de cargos, posição e participação em um futuro governo Braide, vale tanto quanto nota de três reais passada na feirinha da João Lisboa: colorida, cheia de conversa, mas ninguém troca nem por um punhado de farinha. O histórico do ex-prefeito inclui demitir secretário por mensagem de WhatsApp! Imagine o zelo que dedicará a um “aliado” incômodo para a todo poderoso ministro com ambição de Senado? Resta a dúvida que fede mais que peixe esquecido no sol: esse súbito acesso de inocência de Lahesio, que não percebe que essa aliança é “caracu”, é genuíno ou vem com recibo dobrado no bolso? Porque, no Maranhão, a linha entre “fui convencido” e “fui convencido… em dinheiro” é pequena como indumentária de índia no São João. E onde fica Roberto Rocha, o parceiro de chapa que sonhava vestir a faixa de senador ao lado de um governador direitista? Fica na sala de espera, segurando o bolo de casamento enquanto o noivo escapa pela janela. Traição tamanho família: Lahesio larga o aliado e ainda entrega de bandeja ao grupo de Dino a chance de impedir que qualquer adversário sério atravesse a porta do Senado. Para completar a ópera, Felipe Camarão faz o papel de candidato “laranja” do PT para disputar o governo só para que Brandão perca a companhia de Lula. Tudo arranjado por vocês sabem quem visando beneficiar vocês também sabem quem. Enquanto isso, Braide desfila sozinho, sorridente, embalado pelo vácuo eleitoral criado por Dino ao perseguir Brandão por dois anos e, agora, pela desistência que Bonfim lhe oferece. Se Braide ficar gigante e vencer com a bênção dinista, Lahesio vira figurante decorativo em governo que já nasce apadrinhado pelo ministro-ex-governador. E os quase 900 mil eleitores de 2022 finalmente devem entender que compraram ingresso para ver faroeste e ganharam novela de conspiração. No fim, o mais cruel é o espelho: Lahesio, que sacudiu o estado com cara de outsider, pode acabar como nota de rodapé na biografia de quem elegeu a esquerda por tabela. E se Braide tropeçar, sobrará para Bonfim o carimbo de “traíra” sem cargo para exibir na moldura. Moral da história? Trocar o cavalo selvagem da coerência pelo velocípede da conveniência faz chegar mais rápido, sim. Só que com direito ao paredão do descrédito, onde o eleitor joga tomates e a história pendura a plaquinha de “vendido, traíra”.

A vice de enfeite de Braide

SÃO LUÍS, 19 de maio de 2026 – Eduardo Braide escolheu Elaine Carneiro para vice em sua chapa ao governo do Maranhão, mas o debate em torno da decisão expôs uma pergunta incômoda: o critério foi preparo para governar ou valor de propaganda para campanha? O problema não está apenas na vice. Está no método. Braide parece repetir uma lógica em que a imagem vem antes da função, o apelo simbólico pesa mais que a qualificação e a foto importa mais do que a capacidade de sustentar o cargo. A escolha reforça uma marca já conhecida do prefeito de São Luís: a obsessão por vitrine. Em vez de priorizar preparo político, experiência administrativa ou conhecimento institucional, ele parece montar peças de marketing que funcionem bem no discurso, na narrativa e no Instagram. E esse padrão não aparece só em chapa eleitoral. Aparece também em obras e decisões de governo vendidas como grandes soluções, mas que, quando encontram a realidade, revelam improviso, fragilidade e falta de consistência. É o tipo de gestão pensada primeiro para parecer boa e só depois, talvez, para funcionar. No fim, Braide vai consolidando a imagem de um político mais apaixonado por propaganda do que por gestão. E quando a prioridade vira o efeito visual, a realidade costuma fazer o que sempre faz com a maquiagem: escorrer. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por José Linhares Jr | Política MA (@joselinharesjr)

O melhor prefeito do Maranhão?

🚨 Um prefeito do Maranhão tem se destacado justamente por aquilo que a esmagadora maioria despreza: eficiência no básico. Nada de fantasia para rede social, pose de salvador ou pirotecnia administrativa. Só gestão de verdade, daquelas que resolvem problema concreto e mostram que fazer o simples já virou raridade no estado. 🏥 Esse prefeito é Roberto Costa, de Bacabal. E o que chama atenção nele não é obra faraônica, promessa espalhafatosa ou performance para câmera. É o fato de agir. Um médico foi flagrado assistindo jogo enquanto atendia paciente no hospital municipal? Houve afastamento imediato e abertura de procedimento. Sem teatro. Sem enrolação. 🍽️ Em outro caso, surgiu a denúncia de que acompanhantes de pacientes recebiam comida pior que médicos e servidores. O prefeito foi pessoalmente ao local, recusou o prato diferenciado e comeu a mesma refeição dos acompanhantes. Depois disso, a regra ficou clara: se a comida serve para um, tem de servir para todos. ⚖️ E é aí que ele começa a se destacar. Não por fazer milagre, mas por fazer gestão. Enquanto tem prefeito que não resolve nem problema básico e vive se vendendo como criador do paraíso na Terra, Roberto Costa aparece justamente porque executa o que deveria ser obrigação elementar de qualquer gestor. 📌 No Maranhão de hoje, fazer o mínimo com seriedade já parece extraordinário. E talvez seja exatamente por isso que o prefeito de Bacabal começa a surgir como exceção — e como um dos nomes mais eficientes da gestão pública no estado. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por José Linhares Jr | Política MA (@joselinharesjr)

Apenas dois deputados maranhenses assinaram CPMI do Banco Master

BRASÍLIA, 29 de dezembro de 2025 – A CPMI busca apurar denúncias relacionadas ao Banco Master. Na bancada do Maranhão, apenas Duarte Jr e Aluisio Mendes confirmaram apoio. A iniciativa corre no Congresso, na fase de coleta de assinaturas, por meio de requerimento próprio, a fim de reunir o quórum mínimo exigido para instalação. A relação dos que não aderiram é ampla. Não assinaram Allan Garcez, Amanda Gentil, Cleber Verde, Detinha, Fábio Macedo, Hildo Rocha, Josimar Maranhãozinho, Josivaldo JP, Junior Lourenço, Juscelino Filho, Márcio Honaiser, Márcio Jerry, Marreca Filho, Pastor Gil, Pedro Lucas Fernandes e Rubens Pereira Jr. ASSINATURAS E TRÂMITE Para ser instalada, a CPMI precisa do número regulamentar de apoios nas duas Casas. Depois da leitura em plenário, a Mesa indica os membros e define a data da primeira reunião. Em seguida, a comissão vota plano de trabalho, prazos e pedidos de documentos ligados ao Banco Master. Os articuladores tentam ampliar o grupo de signatários no retorno dos trabalhos, pois a adesão majoritária da bancada maranhense ainda não ocorreu. Assim sendo, líderes conversam com indecisos e avaliam ajustes no escopo, a fim de garantir foco e efetividade das apurações envolvendo o Banco Master.

Duarte Junior aplica golpe nos golpistas

duarte junior

A política tem seus próprios rituais de execução, e nem sempre são barulhentos e gritantes. Às vezes, o fim chega disfarçado de declaração de apoio. Quando o deputado Duarte Junior veio a público apoiar o projeto de Orleans Brandão para 2026, citando a gratidão ao governador Carlos Brandão, ele não estava apenas escolhendo um lado. Ele estava jogando mais uma pá de cal sobre o futuro cadáver político de Felipe Camarão. Para entender a situação, é preciso entender a natureza da ambição de Camarão. O projeto de tornar-se governador nunca foi construído sobre pilares de liderança ou apoio popular. Foi erguido sobre a areia movediça da conspiração e do medo. Sua única esperança, sua tábua de salvação, era o caos: a expectativa de que Carlos Brandão seria removido do cargo à força por via judicial. Camarão nunca quis ganhar uma eleição, ele queria herdar um governo no tapetão. É aqui que a linguagem precisa ser brutalmente honesta. Se os aliados de Camarão estão abertamente afirmando que o trunfo para a vitória dele é um golpe, então são golpistas. Não há eufemismo que sanitize essa sacanagem. Quem planeja, defende ou espera por um golpe só pode ser chamado de uma coisa. Como costuma dizer Marco D’Eça: simples assim. Durante meses, essa aposta no caos manteve o cenário político maranhenses em suspense. O medo funcionava. Muitos dos aliados mais fiéis de Brandão hesitavam em levantar a voz e assumir um lado. Até o fim de outubro, muitos se calaram, receosos de que a trama palaciana vingasse. E nesse cenário de covardia generalizada, Duarte Junior era o símbolo perfeito do “indeciso”. Aquele que espera que as coisas se decidam para poder decidir-se. A decisão de Duarte é o atestado de que a estratégia do golpe está fazendo água. Felipe vive um delírio em que acredita ser protagonista. Fala pelos corredores que será candidato ao governo, como se palavras virassem votos. Mas se Braide estalar os dedos, ele recua. Se Brandão piscar, ele some. O vice só teria chance real se assumisse o governo e concorresse com a máquina na mão. O que, convenhamos, é o sonho secreto de quem gostaria que Brandão fosse o fantoche que se recusou a ser, e que Braide, com toda a esperteza, jamais aceitaria. Felipe já anunciou que aceitaria o prefeito como vice. Duarte explicou sua decisão com a palavra que mais falta no vocabulário dos golpistas de ocasião: gratidão. Disse que reconhece o apoio que recebeu de Carlos Brandão nas duas campanhas para a Prefeitura de São Luís (2020 e 2024) e que é hora de retribuir. Brandão foi o único que estendeu a mão, articulou apoios e ajudou o deputado a se firmar na capital, quando muitos do grupo de Dino preferiam vê-lo sangrar. O que está matando as pretensões de Camarão não é apenas a resiliência de Brandão, mas a própria podridão dos métodos utilizados por ele e seu grupo. O entorno do vice-governador se transformou em uma crônica policial de quinta categoria. Chantagens gravadas, falsificações grotescas, traições mútuas. Um espetáculo deprimente de amadorismo e desespero. A política foi substituída pela baixaria. Enquanto o grupo de Camarão se afoga em escândalos e histeria, Brandão joga o jogo da diplomacia e do convencimento. A escolha de Duarte mostra, de forma cristalina, qual método está prevalecendo. É a vitória da política sobre a conspiração. A ironia é dolorosa. Duarte Junior, o mesmo que foi abandonado por Camarão no lançamento de sua campanha em municipal em 2024, agora entrega a cabeça do vice em uma bandeja. Isso expõe a total incapacidade de Felipe Camarão de unir até mesmo aqueles que compartilhavam interesses momentâneos. O movimento de Duarte Junior não é apenas um apoio; é o início da debandada. É o sinal que não há mais medo de abandonar o barco furado de Camarão e correr para os braços de Orleans Brandão. O tempo está se esgotando, e a realidade se impõe de forma impiedosa. Para Felipe Camarão, a declaração de Duarte Junior não foi um revés político. Foi quase que um tiro de misericórdia. O sonho está acabando. Resta apenas aguardar o fim melancólico de uma candidatura que nasceu morta, sustentada artificialmente pela ilusão de um golpe que nunca veio. A debandada começou. E, no fim, Felipe Camarão vai descobrir da pior forma o que Duarte, e outros, já entenderam há muito tempo: em política, quem tenta dar golpe quase sempre é o primeiro a cair.

Bolsonaro é preso por eleitores organizarem vigília

BRASÍLIA, 22 de novembro de 2025 – A PF prendeu preventivamente o ex-presidente Bolsonaro na manhã deste sábado (22), em sua casa, em Brasília. A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes. Segundo a investigação, a motivação foi o chamamento para vigílias religiosas organizadas por apoiadores do ex-presidente. Agentes chegaram cedo ao endereço e cumpriram o mandado sem uso de algemas, por determinação do Supremo. A PF conduziu o ex-presidente à Superintendência no Setor Policial Sul. A medida é cautelar e busca preservar a apuração em curso. Em virtude do teor da decisão, Bolsonaro não foi exposto na operação. O despacho de Alexandre de Moraes cita garantia da ordem pública e risco ao próprio preso. Investigadores apontam a convocação de vigília feita por Flávio Bolsonaro, com mensagens que pediam mobilização contínua. Dessa forma, a possibilidade de concentração diante da residência elevou o nível de alerta das autoridades. DECISÃO E PROCEDIMENTOS A prisão preventiva não tem prazo definido e fica sujeita à decisão judicial responsável. Bolsonaro estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto, por decisão que considerou risco de fuga no processo que apura a trama golpista. Assim sendo, a nova medida substitui o regime domiciliar e mantém a custódia sob supervisão. Após a detenção, o ex-presidente passou por exames de criminalística e foi apresentado à unidade da PF. O local é cercado e possui controle de acesso, o que reduz a chance de aglomeração. Com efeito, a Polícia Federal reforçou protocolos de segurança para garantir a execução da ordem e a integridade de todos. A defesa pode apresentar questionamentos ao Supremo dentro do prazo processual informado. O calendário admite novos embargos e petições da parte interessada. Nesse ínterim, Bolsonaro permanece sob custódia preventiva, enquanto a PF dá sequência às diligências previstas no inquérito que embasa a decisão. Em setembro, a Primeira Turma do STF condenou o ex-presidente e outros réus por tentativa de golpe e delitos correlatos. A pena total fixada para o ex-presidente foi superior a vinte anos, com embargos pendentes. Em síntese, o caso segue com atos processuais e medidas cautelares definidas conforme o andamento dos autos. Palavra-chave: Bolsonaro Legenda:PF prende preventivamente o ex-presidente em Brasília por risco de aglomeração ligado a vigília; ordem é do ministro Alexandre de Moraes.

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