Gaeco investiga desvio envolvendo empresa ligada a prefeito

MARANHÃO, 05 de novembro de 2025 – O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Maranhão (MP-MA) deflagrou, na manhã desta quarta (5), a Operação Acqua Alta para investigar desvio de recursos públicos na Prefeitura de Buriticupu. Segundo o órgão, o prejuízo estimado ultrapassa R$ 7 milhões. A ação, autorizada pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão, cumpriu dez mandados de busca e apreensão em São Luís, Imperatriz, Buriticupu, Presidente Dutra e Cantanhede. A operação apura irregularidades na contratação da empresa Veneza Construções e Locações Eireli pela prefeitura. De acordo com o Gaeco, há indícios de inexecução contratual e repasse irregular de valores. A empresa teria sido contratada para realizar obras já executadas na gestão anterior, e parte dos pagamentos teria sido transferida a servidores públicos, familiares dos envolvidos e à empresa Alpha Construções e Serviços Ltda., ligada ao prefeito João Carlos (PP).
Réu por morte de jovem mutilada vai a júri popular hoje (5)

MARANHÃO, 05 de novembro de 2025 – O julgamento de Elizeu Castro, acusado de matar Ana Caroline Sousa Campelo, de 21 anos, ocorre nesta quarta (5) em Maranhãozinho (MA). A jovem foi encontrada morta em dezembro de 2023, com mutilações no rosto e olhos arrancados, após sair do trabalho. O réu está preso desde 2024 e responde por homicídio triplamente qualificado, com agravantes de emboscada, tortura e feminicídio. Câmeras de segurança registraram Ana Caroline caminhando pela Rua Nova Um, rota de acesso à estrada de Cachimbós. Segundos depois, um homem em uma moto branca aparece seguindo o mesmo caminho. O Ministério Público afirma que o suspeito é Elizeu. O caso seria julgado em julho, mas foi adiado para a nova data. O júri contará com cinco testemunhas de acusação, além dos depoimentos da defesa. A mãe da vítima, Carmelita Sousa, lamenta não ter recebido informações detalhadas sobre o que levou à morte da filha. “Nunca tive esse tipo de conversa. Eu só quero saber o que aconteceu”, afirmou. Ela relembra a última vez que falou com Ana Caroline, uma semana antes do crime, e diz que a jovem não demonstrava preocupação.
TCU cobra Hugo Motta por caso de funcionárias fantasmas

BRASÍLIA, 04 de novembro de 2025 – O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o gabinete do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados, apresente, em até 15 dias, documentos que comprovem o efetivo trabalho das servidoras Gabriela Batista Pagidis e Monique Agra Magno. A medida consta em relatório técnico obtido pelo jornal Metrópoles e visa esclarecer suspeitas de irregularidades em vínculos de trabalho e pagamentos de salários. A investigação aponta que Gabriela Pagidis, fisioterapeuta, esteve lotada no gabinete de Motta entre 2017 e 2025, período em que recebeu mais de R$ 807,5 mil. Entretanto, ela também atuava em duas clínicas particulares no Distrito Federal. Já Monique Magno acumulava o cargo de assistente social na Prefeitura de João Pessoa com o de secretária parlamentar na Câmara, função considerada incompatível. Entre 2019 e 2025, ela recebeu cerca de R$ 208 mil do Legislativo federal. O TCU também apura suspeita de um esquema de rachadinha no gabinete do parlamentar. Documentos indicam que a chefe de gabinete de Motta possuía procurações para movimentar salários de servidores, fato que pode levar o caso ao Ministério Público Federal (MPF) e motivar uma investigação sobre movimentações financeiras. DOCUMENTOS E ESCLARECIMENTOS Os técnicos da Corte solicitaram registros de frequência, escalas de trabalho, comprovantes de acesso a sistemas internos e entregas de tarefas das servidoras investigadas. No caso de Gabriela, o tribunal quer confirmar se ela cumpria horário especial entre 2017 e 2019. Já sobre Monique, o pedido busca detalhes sobre sua jornada a partir de abril de 2021, quando passou a ocupar outro cargo público. De acordo com o relatório, o objetivo é “comprovar que as pessoas implicadas efetivamente exerceram suas funções e não atuaram em cargos inacumuláveis com o posto comissionado na Câmara dos Deputados”. A área técnica fundamenta o pedido em “indícios de fatos graves” e alerta para o “potencial dano ao erário”, conforme destacou o subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, do Ministério Público junto ao TCU.
Dino autoriza PCdoB a participar de ações sobre TCE-MA

BRASÍLIA, 04 de novembro de 2025 – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, autorizou o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) a participar, na condição de amicus curiae, das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7603, 7605 e 7780. As ações questionam a legalidade das regras para escolha dos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA). A decisão reconhece a legitimidade do PCdoB — partido de origem do ministro — para contribuir com informações e argumentos jurídicos no processo. As ações têm como alvo dispositivos da Constituição Estadual, do Decreto Legislativo nº 151/1990 e do Regimento Interno da Assembleia Legislativa do Maranhão. Esses instrumentos normativos regulamentam o processo de indicação e aprovação dos conselheiros da Corte de Contas. As ADIs foram apresentadas pelo partido Solidariedade e pelo procurador-geral da República, que apontam possíveis irregularidades nas nomeações e violação dos princípios constitucionais da publicidade, transparência e moralidade. Em julho, o PCdoB solicitou ao Supremo sua admissão nos autos, alegando relevância institucional e interesse jurídico direto. O partido argumentou que o debate atinge a integridade dos mecanismos de controle público e o equilíbrio entre os Poderes. O pedido foi inicialmente contestado pela Federação Brasil da Esperança — composta por PT, PCdoB e PV —, que defendeu a atuação conjunta das siglas federadas. A manifestação foi assinada pelo presidente do Partido Verde, José Luiz Penna, que sustentou que os partidos federados não possuem legitimidade individual para atuar separadamente em ações judiciais. DECISÃO DE FLÁVIO DINO Ao rejeitar a impugnação, o ministro Flávio Dino afirmou que a Lei nº 14.208/2021, responsável pela criação das federações partidárias, preserva a identidade jurídica e política dos partidos integrantes, sobretudo em matérias não relacionadas a disputas eleitorais. Segundo o ministro, a obrigatoriedade de atuação conjunta limita-se à esfera eleitoral e não se estende a ações de controle de constitucionalidade. Dino observou ainda que o próprio Partido Verde já ingressou individualmente em ações no STF, o que, segundo ele, evidencia incoerência na impugnação apresentada. “O Partido Verde age em desacordo com a tese apresentada, tornando incompreensível a razão para gerar um incidente processual desnecessário, prejudicando a resolução da questão em exame. Portanto, a impugnação feita pela Federação Brasil da Esperança não pode ser acolhida”, afirmou Dino em sua decisão.
Estudo aponta falta de transparência de obras da COP30

BELÉM, 04 de novembro de 2025 – Um estudo da Transparência Internacional divulgado nesta segunda (3) identificou falhas na divulgação de informações sobre as obras públicas para a COP30 em Belém, no Pará. O governo federal, o governo estadual e a prefeitura da capital não publicaram dados essenciais sobre licenciamento ambiental, convênios e processos de contratação dos 23 empreendimentos, que somam R$ 2,8 bilhões em recursos. A análise avaliou projetos financiados por União, BNDES e Itaipu Binacional. Dentre os principais projetos com transparência insuficiente estão o Parque Linear Doca, orçado em R$ 365,8 milhões, e a ampliação da Rua da Marinha, com valor de R$ 248,5 milhões. O BNDES e a Itaipu, que financiam 21 das 23 obras, não disponibilizaram os documentos completos ou os valores repassados em cada etapa. Consequentemente, não é possível monitorar com precisão a execução orçamentária desses grandes investimentos públicos.
TCE-MA aciona prefeito de Araioses por licitação milionária

ARAIOSES, 04 de novembro de 2025 – O Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) concedeu ao prefeito de Araioses, João Cândido Carvalho Neto, conhecido como Neto Carvalho, um prazo adicional de 30 dias para apresentar defesa em processo que apura supostos ilícitos em licitação municipal. A decisão foi proferida nesta terça (4), pelo conselheiro Marcelo Tavares, relator do processo nº 3821/2025, publicado no Diário Oficial Eletrônico do TCE-MA. O caso investiga a Concorrência Eletrônica nº 011/2025, orçada em R$ 14.408.386,54, destinada à formação de Registro de Preço para eventual contratação de empresa especializada na recuperação de estradas vicinais (Etapa 3). O procedimento está sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Obras e Urbanismo e foi autorizado pelo próprio prefeito, com recursos provenientes do orçamento municipal e de emendas parlamentares.
Justiça anula multas aplicadas pela Prefeitura de São Luís

SÃO LUÍS, 04 de novembro de 2025 – A Justiça do Maranhão anulou todos os autos de infração aplicados pela Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) de São Luís com base no artigo 230, inciso V, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que trata da condução de veículo não registrado e não licenciado. A decisão, proferida pelo juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos, atendeu à Ação Popular ajuizada pelo deputado Rodrigo Lago (PCdoB) e pelos ex-vereadores Ribeiro Neto (PRD) e Álvaro Pires (PSB). O magistrado considerou que as autuações de veículos registrados, mas com licenciamento vencido, foram enquadradas de forma incorreta. DECISÃO JUDICIAL E ADEQUAÇÕES EXIGIDAS A Justiça determinou que o Município adeque o sistema de autuação, passando a enquadrar essa conduta no artigo 232 do CTB ou em outro dispositivo proporcional, proibindo o uso do artigo 230, inciso V, para esse tipo de caso. Além disso, exigiu a instalação de sinalização adequada em todas as vias fiscalizadas por câmeras e a inclusão, no campo de observações dos autos, da forma como a infração foi constatada. Na ação, os autores alegaram que as autuações feitas por videomonitoramento ocorreram sem a devida sinalização nas vias e sem a anotação obrigatória no auto de infração, o que contraria resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Eles também argumentaram que a penalidade aplicada como infração gravíssima deveria, na verdade, ser considerada de natureza leve, conforme o artigo 232 do CTB.
Ifood perde na Justiça e vai devolver 1 bilhão em impostos

BRASIL, 04 de novembro de 2025 – Uma decisão judicial favorável ao governo obrigou o iFood a pagar quase R$ 1 bilhão em tributos à Receita Federal. A Justiça concluiu que a empresa utilizava indevidamente benefícios fiscais concedidos pelo Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) desde o ano passado, contrariando as regras estabelecidas para o programa. O Perse, criado em 2021 para apoiar setores de eventos e turismo afetados pela pandemia, zerou diversas alíquotas, mas passou por restrições e foi extinto em abril, depois de atingir o limite de R$ 15 bilhões em renúncia fiscal. O iFood, controlado pela Prosus desde 2022, foi identificado como o maior beneficiário do programa, mesmo com forte expansão de receitas no período. Segundo decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, publicada em agosto, o iFood deveria ter retomado o pagamento dos tributos desde maio de 2023, diante de mudanças que restringiram as atividades contempladas pelo Perse. A empresa, no entanto, manteve o benefício amparada por decisões liminares até janeiro deste ano. Em manifestação à Justiça, a Receita Federal apontou que o iFood deixou de recolher mais de R$ 900 milhões indevidamente, o que gerou “enorme dano ao erário”. O iFood informou ter quitado o valor devido em parcelas nos meses de setembro e outubro e destacou estar “em dia com todas as suas obrigações junto à Receita”, conforme nota enviada à agência Reuters. A empresa ressaltou que os recursos para o pagamento já estavam previstos em seu balanço, o que evitou impacto financeiro na operação e acrescentou ter interrompido o uso do benefício assim que as decisões judiciais perderam validade. O pagamento contribui para a estratégia do governo de alcançar o déficit fiscal zero em 2025.