
BRASÍLIA, 21 de agosto de 2026 — A lobista Roberta Luchsinger afirmou, em conversas de 2024 obtidas pela Polícia Federal, que o presidente Lula lhe ofereceu um cargo no governo. Ela disse que recusou a função para se dedicar a negócios privados com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e com Fernando Bittar.
As mensagens integram um relatório da PF publicado pela revista Veja. Os investigadores apontam indícios de corrupção e tráfico de influência. Segundo o inquérito, Lulinha atuava como agenciador oculto de empresários que buscavam contratos com autarquias federais.
Roberta também declarou que mantinha proximidade com Lula. Além disso, as conversas mostram que ela tinha contato direto com Gustavo Gaspar, ex-assessor do Ministério das Comunicações.
O relatório revela que ela, Lulinha e Bittar formavam um núcleo para atender interesses privados perante órgãos da administração pública, incluindo o Ministério da Saúde.
A lobista afirmava atuar por meio do Palácio do Planalto. Ela projetava receber R$ 100 milhões em 2024. As investigações também mostram que ela orientava o motorista a fazer entregas de valores em espécie transportados em malas. Entre os destinatários estava Fernando Bittar, um dos donos do sítio de Atibaia.
Em uma conversa, Lulinha questionou a disponibilidade de recursos para uma viagem à África e disse que Roberta cuidava de suas finanças.
A defesa de Lulinha criticou o vazamento da investigação e afirmou que não há provas no inquérito. O advogado Marco Aurélio Carvalho disse que a divulgação busca causar impacto no processo eleitoral. A assessoria de Bittar também contestou o acesso seletivo aos autos e citou interferência política.
As defesas de Roberta, Gaspar e Antônio Carlos Camilo Antunes (Careca do INSS) não se manifestaram e disseram que aguardam acesso à íntegra do processo.







