
BRASÍLIA, 22 de abril de 2026 — O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), resiste à instalação da CPI do Banco Master. Parlamentares da oposição recorreram ao Supremo Tribunal Federal para obrigar a abertura da comissão.
O ministro Nunes Marques recebeu o caso e precisa decidir sobre a intervenção da Corte. O calendário eleitoral domina a agenda legislativa, e muitos parlamentares concentram esforços em suas candidaturas.
Nunes Marques enfrenta um dos casos mais delicados de sua trajetória no STF. Decisões anteriores do Supremo estabeleceram que o Judiciário pode determinar a instalação de CPIs. Esse precedente ocorreu na CPI da Covid, quando houve omissão do Legislativo.
Uma empresa ligada ao filho do ministro teria recebido R$ 6,6 milhões do Banco Master. Parlamentares avaliam que uma eventual rejeição da CPI poderia ser interpretada como tentativa de blindagem.
O ambiente no Senado é de baixa mobilização para a CPI. A proximidade das eleições reduz a disposição política para avançar com a comissão. As sessões ocorrem de forma semipresencial, e o foco concentra-se em agendas estratégicas. Mesmo que a CPI seja instalada, ela pode ficar esvaziada diante do calendário eleitoral.
O histórico da CPI da Covid pesa na análise atual. O STF só consolidou sua decisão depois que o Senado já havia iniciado os trabalhos. Nunes Marques, à época, defendeu maior margem de decisão para o Legislativo. Segundo o ministro, caberia ao presidente do Senado avaliar o melhor momento para a instalação.
“É prudente, portanto, que o Legislativo possa avaliar o modo mais adequado”, disse o magistrado. “Nisso não vejo qualquer risco de dano”, completou ele na ocasião.







