
BRASÍLIA, 20 de abril de 2026 — Sete deputados federais concentraram R$ 1,5 bilhão em emendas de comissão na Câmara em 2025. Entre eles está o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Os dados mostram que esse grupo controlou uma fatia relevante dos R$ 7,5 bilhões distribuídos por comissões temáticas.
O jornal Folha de S.Paulo divulgou as informações neste domingo (19). Outros 423 deputados dividiram os R$ 6 bilhões restantes. Por fim, 83 parlamentares não registraram indicações formais nesse tipo de recurso.
As comissões do Congresso sugerem ao governo federal a destinação das emendas. Elas indicam áreas e localidades beneficiadas. O Executivo pode decidir não executar os valores. No entanto, não pode redirecioná-los. Até 2024, essas emendas não identificavam os responsáveis pelas indicações.
O Supremo Tribunal Federal (STF) alterou esse modelo em 2025. A corte passou a exigir a divulgação dos autores das propostas.
O deputado Julio Arcoverde (PP-PI) liderou as indicações, com R$ 244,3 milhões. Ele presidiu a Comissão Mista de Orçamento. Em nota, o parlamentar afirmou que destinou os recursos de forma legal ao Estado do Piauí.
Ele disse ter foco em infraestrutura e saúde. Na sequência aparece Motta, com R$ 180,5 milhões. Parte dos recursos foi direcionada a municípios cujos prefeitos declararam apoio à pré-candidatura ao Senado de Nabor Wanderley. Ele é pai do presidente da Câmara.
“No âmbito dos partidos, a divisão dos valores das emendas segue os critérios adotados pelas lideranças”, disse Motta.
Ele citou o número de deputados como critério. A destinação dos recursos tem como prioridade áreas estratégicas, como saúde e infraestrutura. O presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), aparece na sequência, com R$ 138,2 milhões.
Ele afirmou que lideranças partidárias tradicionalmente concentram mais recursos. Disse também que divulga essas informações publicamente.
Enquanto o grupo restrito indicou valores superiores a R$ 100 milhões, a maioria dos deputados ficou limitada a cerca de R$ 14 milhões. Nenhum dos demais parlamentares ultrapassou R$ 80 milhões.
Sob anonimato, deputados afirmaram à Folha que houve acordo para permitir indicações próximas de R$ 10 milhões por integrante da base governista. Eles admitem que cargos de liderança justificariam diferenças. No entanto, não na escala observada.
Parlamentares passaram a indicar valores em nome das lideranças partidárias. Em 2025, esse formato concentrou R$ 1,1 bilhão, segundo registros das comissões. No grupo com maior volume de recursos, aparecem lideranças do PP, com cerca de R$ 358 milhões. O União Brasil aparece com R$ 266 milhões.
O Republicanos tem R$ 201 milhões. Por fim, o PL concentra R$ 113 milhões.







