
BRASÍLIA, 20 de abril de 2026 — O governo Lula reabriu a pauta sobre a revogação da chamada ‘taxa das blusinhas’. O imposto, que foi defendido e emplacado pelo seu governo, abraçou a aplicação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress. Agora, a menos de seis meses das eleições, o Planalto tenta se descolar do assunto.
A discussão ocorre depois de o presidente Lula sancionar a lei em junho de 2024 e de o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ter defendido a medida publicamente em diversas ocasiões.
Em entrevista ao podcast Inteligência LTDA, Haddad admitiu que pretendia criar o imposto sobre compras internacionais por portaria, sem necessidade de aprovação do Congresso, mas foi impedido pelo próprio Lula.
“Esse imposto poderia ter sido cobrado por uma portaria minha, porque imposto de importação é regulatório. Não foi feito porque Lula não me deixou fazer. Estou sendo sincero, eu queria fazer. Fizemos uma reunião e ele disse: eu não quero”, afirmou.
O imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 foi aprovado pelo Congresso em junho de 2024 e sancionado por Lula no dia 26, o mesmo presidente que havia chamado a medida de “irracional” em entrevista ao portal UOL.
Haddad foi um defensor público da medida, que causou polêmica em meio a pressões de consumidores e plataformas asiáticas. A contradição entre as declarações anteriores e a atual tentativa de distanciamento da política passou a ser explorada pela oposição.
Em declaração recente, Lula tentou atribuir a aprovação a pressões externas. “O Congresso aprovou sob pressão do comércio varejista. Eu achava desnecessário o aumento da blusinha, porque são compras muito pequenas, de pessoas de baixo poder aquisitivo.”
O texto da proposta que retomou a criação do imposto no Senado foi assinado pelos líderes do MDB, PSD, PT e do próprio governo.







