
SÃO PAULO, 02 de março de 2026 – O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, confirmou que teve despesas de viagem e hospedagem em Portugal pagas pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso sob suspeita de corrupção ligada a fraudes contra aposentados.
Segundo o jornal Estadão, o deslocamento ocorreu no fim de 2024 para visitar uma fábrica de cannabis medicinal.
De acordo com a versão relatada por interlocutores ao Estadão, Lulinha afirmou que não houve sociedade nem repasse de valores por parte do lobista. Assim, ele declarou que a viagem teve caráter de visita a uma planta de cultivo de cannabis medicinal, sem vínculo financeiro posterior entre as partes.
A relação entre Lulinha e Antunes entrou no radar da Polícia Federal após um ex-funcionário do lobista afirmar que ambos seriam sócios e que haveria pagamento mensal de R$ 300 mil ao empresário. Além disso, a PF encontrou mensagens em que o lobista mencionava pagamentos ao “filho do rapaz”, sem identificação nominal.
A investigação busca esclarecer se a referência nas mensagens se relaciona a Lulinha e se houve repasses financeiros ligados ao caso. Paralelamente, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS aprovou a quebra de sigilo bancário do empresário para examinar eventuais movimentações financeiras vinculadas à apuração.
Segundo relatos atribuídos a interlocutores, Lulinha afirmou que conheceu Antunes por meio da empresária Roberta Luchsinger, também investigada pela Polícia Federal por receber pagamentos do lobista.
Ainda conforme sua versão, ele viajou em primeira classe com todas as despesas custeadas por Antunes para conhecer a estrutura empresarial em Portugal.
O empresário declarou que recebeu convite para integrar um empreendimento ligado ao setor de cannabis medicinal, porém as tratativas não avançaram.
Ele também negou ter recebido qualquer quantia do lobista e afirmou que suas movimentações bancárias registram apenas dividendos de suas próprias empresas, que, segundo ele, não prestaram serviços a Antunes.
Documentos apreendidos pela Polícia Federal, divulgados pelo jornal, indicam que Antunes negociou a compra de um galpão em Aveiro por 2,7 milhões de euros, com pagamento inicial de 100 mil euros no início de fevereiro de 2025. Os registros analisados não mencionam o nome de Lulinha.
Informações da investigação apontam que o projeto empresarial não prosperou após Antunes se tornar alvo da Operação Sem Desconto.
O lobista está preso sob suspeita de intermediar pagamentos milionários a ex-dirigentes do INSS, enquanto a polícia apura possíveis repasses a familiares de agentes públicos.







