
MUNDO, 26 de julho de 2025 – Uma escalada nas retaliações na guerra comercial entre o Brasil e os Estados Unidos pode custar até 6% do PIB brasileiro – pelo menos R$ 667 bilhões – e uma perda de 5 milhões de empregos em um período entre cinco e dez anos. O projeto é da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
O Brasil enfrenta seu maior dilema comercial em décadas. A tarifa anunciada por Donald Trump, para entrar em vigor em 1.º de agosto, representa muito mais que um entrave comercial.
Segundo analistas, a situação pode representar um grande obstáculo ao futuro da economia do país, caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) opte pelo caminho da retaliação. No momento, os esforços do governo são direcionados para uma negociação pela via diplomática.
“O Ministério das Relações Exteriores precisará ser muito hábil para negociar e, quem sabe, suspender essa tarifa antes de 1.° de agosto”, diz o jurista Ives Gandra da Silva Martins, professor emérito da Universidade Mackenzie.
A decisão americana surpreende não apenas pela magnitude, mas também pelo timing e justificativa. Washington classifica o tarifaço como sendo algo “recíproco” e alega buscar “corrigir barreiras impostas pelo Brasil”.
No entanto, os analistas enxergam motivações que vão além do comércio. Eles defendem um componente político na decisão, com divergências sobre o tratamento dispensado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao ex-presidente Jair Bolsonaro e debates atualizados sobre a regulação das redes sociais no Brasil como pano de fundo para a instrumentalização do comércio bilateral.
O custo da retaliação: por que responder seria pior?
A entidade empresarial mineira aponta que na eventualidade de o Brasil responder com uma tarifa de 50% sobre os produtos americanos, como Lula cogitou na semana passada, os efeitos seriam substanciais.
O PIB nacional sofreria uma contração de 2,21%, equivalente a R$ 259 bilhões em valores atuais. A retração significaria a eliminação de 1,9 milhão de postos de trabalho, entre empregos formais e informais, com uma redução de R$ 36,2 bilhões no total dos rendimentos dos brasileiros.
A arrecadação do governo também seria severamente afetada, com perdas estimadas em R$ 7,2 bilhões. Isso aconteceria em um cenário no qual o governo tem poucas preocupações em tirar as contas do vermelho. Nos 29 meses do governo de Lula até maio, houve déficit em 23 deles, segundo dados do Banco Central (BC). Como reflexo, o endividamento público saltou de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em dezembro de 2022 para 76,1% em maio deste ano.
“Uma retaliação mal planejada pode gerar efeitos colaterais para a economia brasileira. Setores com alta exposição ao mercado diretamente impactados e, com eles, empregos externos e cadeias produtivas inteiras. Para o consumidor, isso se traduz em insumos mais caros, inflação e possíveis quebras de oferta”, diz Felipe Vasconcellos, sócio da Equus Capital.







