DESVIO DE LUXO

Vorcaro teria desviado R$ 777 mi à família antes da liquidação

Andre Reis
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Vorcaro Master
Documentos internos apontam transferência para empresas e fundos ligados à família de Daniel Vorcaro. Suspeita é de desvio para compra de mansões e jatinhos.

BRASÍLIA, 05 de maio de 2026  O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e seus familiares teriam desviado R$ 776,9 milhões do Banco Master. As operações financeiras ocorreram pouco antes da liquidação da instituição. O cenário envolvia investigações da Polícia Federal e do Banco Central contra o banco. As informações são do jornal O Globo.

Os recursos foram transferidos para empresas e fundos ligados à família Vorcaro. A suspeita é de desvio para aquisições privadas, como mansões e jatinhos. A liquidante do Banco Master informou que Henrique Vorcaro, pai de Daniel, e Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, tiveram bens protestados.

A ação ocorreu no mês passado para resguardar patrimônio para eventuais ressarcimentos de credores.

A operação investigada começou quando o fundo City, ligado ao Master, comprou “recebíveis” de empresas da família Vorcaro. Dessa forma, o fundo antecipou recursos em troca de promessas de pagamentos futuros.

Em 2022, o City transferiu R$ 419,9 milhões para essas empresas. O fundo esperava receber R$ 798 milhões. No entanto, a liquidante afirma que os créditos eram “podres”, sem garantia real.

Com a inadimplência, o fundo passou a reportar perdas crescentes. O prejuízo chegou a R$ 714,9 milhões em junho de 2025. A suspeita é que o prejuízo serviu para enriquecer empresas da família do ex-controlador.

Em 3 de julho de 2025, o City vendeu esses recebíveis para a Navarra S.A. por R$ 776,9 milhões. A liquidante identificou que a Navarra tinha como beneficiário final o próprio Daniel Vorcaro, por meio dos fundos Lunar e Astralo 95.

Depois da transação, em 24 de julho de 2025, a administradora do City comunicou ao mercado uma desvalorização de 99,98% das cotas. A medida praticamente eliminou o valor do fundo.

A liquidante argumenta que a operação foi usada para mascarar dívidas. Além disso, serviu para ocultar o verdadeiro destino dos recursos. Isso dificulta a recuperação dos ativos pelos credores do Master.

O Tribunal de Justiça de São Paulo reconheceu indícios de atuação conjunta dos familiares. A corte concedeu liminar para protesto de bens.

Documentos mostram que parte dos valores financiou estilo de vida luxuoso. Uma propriedade de US$ 35 milhões em Windermere, Flórida, está em nome da Sozo Real Estate Inc., empresa dirigida pelos investigados.

Apurações do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Polícia Federal sugerem outros destinos dos recursos. O fundo Astralo teria bancado a compra de um imóvel de R$ 36 milhões em Brasília. Inclusive, financiou um jatinho de R$ 538 milhões e aportes milionários na SAF do Atlético Mineiro.

As investigações mostram que parte dos recursos teve destino em pagamento de propina a fiscais do Banco Central. Outra parte financiou um grupo privado chamado “A Turma” para intimidar jornalistas.

A defesa de Henrique e Natália Vorcaro refutou as ilegalidades. “Não há qualquer ato ilícito atribuível à família, que sequer tem conhecimento destes fundos mencionados”, afirmou a defesa. A nota acrescentou que os negócios feitos com as empresas parceiras foram lucrativos para o Banco Master.

“O foro adequado a tais aleivosias é o Poder Judiciário”, disse a defesa.

Os advogados de Daniel Vorcaro preferiram não comentar o caso à imprensa.

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