
BRASÍLIA, 23 de abril de 2026 — O Tribunal de Contas da União (TCU) validou o gasto de R$ 350 milhões do governo Lula com o aluguel de cruzeiros para hospedagem durante a COP30. A despesa ocorreu em novembro passado, em Belém (PA), por meio de contrato firmado entre a Secretaria Especial da COP30 e a Embratur.
O motivo foi a falta de hospedagem suficiente na cidade e o aumento no fluxo de visitantes nacionais e estrangeiros no Pará. A Embratur, por sua vez, contratou a empresa Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda. O valor pago foi de R$ 350,2 milhões, conforme informações da Casa Civil.
Os navios utilizados pertencem às empresas Costa Cruzeiros e MSC Cruzeiros. O empresário Marcelo Cohen é proprietário da Qualitours. Ele é apontado como sócio do banqueiro Daniel Vorcaro no Hotel Botanique, em Campos do Jordão (SP). Vorcaro, no entanto, nega ser dono do hotel.
O processo foi aberto após representação do deputado Gustavo Gayer (PL-GO), que questionou possíveis irregularidades no contrato. O TCU, em relatório assinado pelo ministro Bruno Dantas, concluiu que a representação era improcedente.
O tribunal considerou que a atuação do governo foi “razoável e plausível, dentro do espaço de governabilidade possível”. Além disso, o TCU afirmou que a contratação foi “vantajosa”. O valor executado ficou abaixo do teto estimado de R$ 454 milhões.
A opção escolhida foi considerada economicamente melhor em relação ao afretamento direto. Essa outra modalidade demandaria pagamento antecipado de cerca de € 50 milhões. Não haveria possibilidade de desconto por vendas privadas nesse modelo alternativo.
Por unanimidade, os ministros do TCU decidiram conhecer a representação e julgá-la improcedente.







