Argentina classifica PCC e CV como organizações terroristas

SÃO LUÍS, 29 de outubro de 2025 – A Argentina classificou oficialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A ministra da Segurança argentina, Patricia Bullrich, fez o anúncio em entrevista ao jornal La Nación. A declaração ocorreu no mesmo dia de uma megaoperação policial contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro, que mobilizou mais de 2,5 mil agentes. Segundo a ministra, a polícia argentina identicia presos ligados a essas facções brasileiras por meio de tatuagens e seu modo de operar. Bullrich informou que o país mantém atualmente pelo menos 39 brasileiros presos, com cinco ligados ao CV e até oito ao PCC. Esses detentos ficam isolados no sistema prisional para impedir que exercitem poder sobre outros internos, uma prática comum no Brasil e no Paraguai.
Distribuidora ligada ao PCC mantém contratos com governo Lula

BRASIL, 05 de setembro de 2025 – A Rede Sol Fuel Distribuidora, alvo da Operação Carbono Oculto por supostos vínculos com o PCC, mantém contratos ativos de R$ 424 milhões com o governo federal. A empresa fornece combustível para a Presidência da República, ministérios como Fazenda, Defesa e Saúde, e para a Polícia Militar do Rio de Janeiro. As investigações apontam que o proprietário, Valdemar de Bortoli Júnior, tem sólidos vínculos com esquemas de fraude e lavagem de dinheiro. Entre os principais contratos, destacam-se o fornecimento de querosene de aviação ao Comando da Aeronáutica, no valor de R$ 154 milhões, e de gasolina comum para a PMERJ, por R$ 148 milhões. Além disso, a Presidência da República consome R$ 3,1 milhões em combustível para veículos e residências oficiais. Os contratos têm vigência entre um e cinco anos.
Filho de Lewandowski advoga para empresa ligada ao PCC

SÃO PAULO, 02 de setembro de 2025 – Enrique de Abreu Lewandowski, filho do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, é um dos advogados da Terra Nova Trading, empresa vinculada a um esquema de fraude bilionária que envolve o Primeiro Comando da Capital (PCC). A apuração do Ministério Público de São Paulo (MPSP), da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal mostra relações entre a facção criminosa, o setor de combustíveis e instituições financeiras. O caso foi exposto na Operação Carbono Oculto. Enrique Abreu Lewandowski consta em ações na Justiça como defensor da empresa Terra Nova Tranding. A empresa, segundo investigação da Polícia Federal em 2020, teria sido instrumentalizada para gerar créditos tributários falsos, inflar preços em transações internas e lavar dinheiro do crime organizado. Segundo as investigações, a Terra Nova Trading era usada por Mohamad Hussein Mourad, apontado pelo MPSP como “epicentro das operações” no esquema bilionário de fraudes. Por meio da Terra Nova, Mourad importava nafta com imposto reduzido (1%, contra 25% em São Paulo), barateando a produção de combustíveis de forma ilegal. Enrique de Abreu Lewandowski aparece como advogado da Terra Nova Tranding em processo que tramita no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), numa ação de direito tributário. O último andamento é de 2019 e Enrique ainda consta como advogado ativo da causa. Enrique Lewandowski também atua em causa no Tribunal de Justiça de São Paulo, datada de 2021. OUTRO LADO O ministro Ricardo Lewandowski não tinha se manifestado até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto. Por meio de nota, a assessoria de Enrique Lewandowski comentou a relação do defensor com a Terra Nova. “O advogado Enrique Lewandowski não atua no caso citado pela reportagem. Ele atua nas áreas cível e tributária para a Terra Nova Trading desde 2018. Enrique não advoga em temas criminais e não conhece processos nos quais não está constituído como representante legal. Ele repudia qualquer tentativa de criminalização da atividade advocatícia, reafirmando o compromisso com a legalidade e a ética profissional”. Já a Terra Nova negou envolvimento em atividades ilegais. Continue lendo…
Após ação contra PCC, Receita endurece regras às fintechs

BRASIL, 29 de agosto de 2025 – A Receita Federal publicou nesta sexta (29) uma nova instrução normativa que iguala as regras de transparência das fintechs aos grandes bancos , um dia depois a Polícia Federal revelou a existência de um esquema bilionário do PCC para lavar dinheiro do crime organizado no mercado financeiro. A equalização das regras foi anunciada na véspera pelo ministro Fernando Haddad , da Fazenda, para impedir a fiscalização e tornar obrigatório o registro de todas as movimentações financeiras destas instituições. “Esta Instrução Normativa estabelece medidas para o combate aos crimes contra a ordem tributária, inclusive aqueles relacionados ao crime organizado, em especial a lavagem ou ocultação de dinheiro e fraudes”, diz trecho da norma publicada no Diário Oficial da União Parte desta normativa já havia sido proposta pela Receita Federal em setembro do ano passado e entrou em vigor em janeiro deste ano, mas foi suspensa após a polêmica envolvendo uma suposta tributação do PIX , que tinha regras ligadas a esta instrução. No entanto, após a revelação da Polícia Federal, o órgão afirma ser necessário suportar a fiscalização das fintechs. “Nós já sabíamos que, por conta desse descartável, desse limbo regulatório, há um espaço que foi encontrado pelo crime organizado para utilizar essas instituições. Agora, com essa transparência, com essa comunicação adequada à população, este é o momento de nós voltarmos a esse debate e exigir das fintechs nada além do que sempre se categoria de todas as instituições financeiras no Brasil há mais de 20 anos, em que precisam ter um padrão de transparência”, afirmou Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal, em entrevista à GloboNews . Barreirinhas reforçou, no entanto, que os nomes dos correntistas não são informados pelos bancos e nem serão obrigatórios às fintechs, apenas os valores movimentados são que deverão ser reportados à Receita. As investigações da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público de São Paulo mostraram que o PCC tem R$ 30 bilhões em 40 fundos de investimento geridos principalmente por fintechs com sede na Avenida Faria Lima, em São Paulo – considerada a “coração” do mercado financeiro brasileiro.
Postos do MA são investigados em esquema bilionário do PCC

SÃO LUÍS, 28 de agosto de 2025 – A Receita Federal deflagrou nesta quinta (28) a Operação Carbono Oculto, a maior ação contra o crime organizado do país em amplitude e cooperação institucional. O objetivo é desmantelar um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, controlado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação abrange desde a importação até a comercialização final, incluindo a ocultação de patrimônio por meio de fintechs e fundos de investimento. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 350 endereços de pessoas físicas e jurídicas em oito estados. Além disso, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) requisitou o bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em bens dos investigados. A operação conta com a participação de 350 servidores da Receita, Polícia Federal, Ministério Público e agências estaduais. As investigações apontam que o grupo importou mais de R$ 10 bilhões em nafta, hidrocarbonetos e diesel entre 2020 e 2024. Por isso, a Receita constituiu créditos tributários de R$ 8,67 bilhões contra empresas e pessoas do esquema. Outra prática ilegal do PCC foi a adulteração de combustíveis, com desvio de metanol para produzir gasolina irregular, causando prejuízos aos consumidores. Postos de combustíveis atuavam como pontos centrais para lavagem de dinheiro, movimentando R$ 52 bilhões em quatro anos com recolhimento tributário irrisório. A Receita autuou esses estabelecimentos em R$ 891 milhões. Curiosamente, 140 postos sem movimentação financeira receberam mais de R$ 2 bilhões em notas fiscais, indicando aquisições simuladas.
Líder do PCC movimenta R$ 1 milhão de dentro de presídio

BRASIL, 29 de julho de 2025 – Rodrigo Felício, conhecido como Tiquinho de Limeira, um dos principais líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), continua dirigindo atividades criminosas mesmo após 12 anos preso na Penitenciária de Segurança Máxima de Presidente Venceslau (SP). O Ministério Público apurou que ele movimentou quase R$ 1 milhão em uma única conta bancária e US$ 100 mil em espécie, tudo sob seu comando. As ordens de Tiquinho eram repassadas por meio de cartas manuscritas, chamadas “salves”, entregues por sua esposa, Maria Fernanda Antunes Martins, a Gordinha, durante visitas ao presídio. Em março de 2023, ela foi flagrada com quatro folhas de instruções destinadas a comparsas como Alex Araújo Claudino (Frango) e Willian Ali Srour (Gordo). As transações eram discutidas via WhatsApp, usando códigos como “Bob” para maconha e “peixe” para cocaína.
Facções lucram mais com negócios legais do que com cocaína

BRASIL, 03 de julho de 2025 – As principais facções criminosas do Brasil, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), obtiveram mais lucro com negócios legais do que com o tráfico de drogas em 2022. Segundo o estudo “Rastreamento de Produtos e Enfrentamento ao Crime Organizado no Brasil”, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, essas organizações movimentaram R$ 146,8 bilhões com a venda de combustíveis, ouro, cigarros e bebidas alcoólicas. No mesmo período, o tráfico de cocaína rendeu R$ 15 bilhões. Além desses setores, as facções também atuam em pelo menos 18 outras atividades econômicas, incluindo postos de gasolina, imóveis, mineração e até igrejas. No entanto, os crimes cibernéticos e roubos de celulares se tornaram a principal fonte de renda, com movimentação estimada em R$ 186 bilhões.
Governo contraria EUA sobre considerar PCC e CV terroristas

MUNDO, 07 de maio de 2025 – Em um movimento que certamente tranquilizará os líderes do crime organizado, o governo Lula recusou a proposta norte-americana de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A sugestão foi apresentada por uma comitiva do Departamento de Estado nesta terça (6), em Brasília, mas foi prontamente descartada pelo Palácio do Planalto – que, afinal, sabe muito bem diferenciar entre terrorismo e simples atividades criminosas transnacionais. Os representantes americanos, liderados por David Gamble, coordenador interino de Sanções, argumentaram que o enquadramento permitiria medidas mais duras contra as facções, que já operam em pelo menos 12 estados dos EUA – incluindo Nova York, Flórida e Nova Jersey.