PF investiga transações do Master com empresa ligada ao PCC

BRASÍLIA, 02 de fevereiro de 2026 – A Polícia Federal investiga operações de câmbio no valor de R$ 2,8 bilhões realizadas pelo Banco Master com a empresa One World Services (OWS). As transações, enviadas entre dezembro de 2018 e abril de 2021, tinham como justificativa o aumento de capital de uma offshore da OWS em Miami. Naquele período, o Banco Master ainda operava sob o nome Banco Máxima. A OWS é investigada por lavagem de dinheiro para facções criminosas como o PCC e o grupo Hezbollah. Conforme a PF, a OWS adquiriu bitcoins para condenados por lavagem de dinheiro usando contas no Banco Master. Para isso, a empresa não apresentou toda a documentação exigida pelo Banco Central na época. Apenas 15 atas societárias foram entregues, embora os agentes tenham registrado 331 operações. Dessa forma, as normas de controle e tributação foram descumpridas. O relatório policial aponta que as instituições investigadas, incluindo o Banco Master, “de forma deliberada fecharam os olhos para a realidade de seus clientes”. As atas apresentadas à PF mostraram indícios de fraude, com documentos gerados no mesmo dia ou com poucos minutos de diferença. Além disso, a finalidade declarada permitia o pagamento de um IOF reduzido, de 0,38%, inferior à alíquota de 1,1% aplicável à compra de ativos no exterior. As investigações, que têm desdobramentos desde a Operação Colossus, em 2022, monitoram movimentações totais de R$ 60 bilhões. Desse total, R$ 8 bilhões correspondem apenas a operações de câmbio. O Banco Central abriu uma apuração própria após receber informações da PF sobre as transações suspeitas. O Banco Master informou que firmou um acordo com o BC, que encerrou o caso no âmbito administrativo sem reconhecer irregularidades.
PCC e CV expandem tráfico de drogas da África para a Europa

MUNDO, 19 de janeiro de 2026 – Primeiro veio a consolidação de parcerias internacionais com cartéis latinos responsáveis pelo fornecimento de entorpecentes para o mercado nacional, a partir dos anos 2000. Depois, foi a sociedade com diversas máfias europeias, como a italiana ‘Ndrangheta, para a distribuição das drogas ilegais no Velho Mundo. Agora a bola da vez nas rotas de narcotráfico a partir do Brasil é a África, que pelo menos desde 2020 vem se consolidando como um dos mais importantes hubs de redistribuição de cocaína no mundo, desempenhando um papel central no elo entre a produção latino-americana, a logística brasileira e os mercados consumidores da Europa, do Oriente Médio e da Ásia. A cooperação entre as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) com organizações africanas, cartéis andinos e máfias europeias aponta para a formação de consórcios criminais transnacionais, capazes de movimentar grandes volumes de cocaína, operar sistemas de lavagem de dinheiro e explorar fragilidades institucionais de múltiplos países. É o que apontam investigações da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal em conjunto com a Interpol, e dados oficiais analisados no estudo “Floresta em pó”, do Instituto Fogo Cruzado em parceria com a Iniciativa Negra Por Uma Nova Política de Drogas e a Drug Policy Reform & Environmental Justice International Coalition, além de outras instituições, publicado no final de outubro de 2025.
Operação no Maranhão, PI e TO prende integrantes do PCC

MARANHÃO, 05 de novembro de 2025 – A Polícia Civil deflagrou a Operação Carbono Oculto 86 nesta quarta (5) para combater um esquema de lavagem de R$ 5 bilhões ligado ao PCC. A ação, que ocorreu no Maranhão, Piauí e Tocantins, resultou na interdição de mais de 30 postos de combustíveis e na apreensão de um avião Cessna e um Porsche avaliado em R$ 550 mil. Os veículos pertencem ao empresário Haran Santhiago Girão Sampaio, investigado por integrar o PCC. Segundo as investigações, o grupo criminoso utilizava empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para ocultar e legitimar recursos ilegais.
Paraguai também classifica CV e PCC como grupos terroristas

PARAGUAI, 30 de outubro de 2025 – O ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera, confirmou nesta quinta (30) que o país classificará como organizações terroristas o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), facções de origem brasileira envolvidas em crimes transnacionais como narcotráfico, sequestros, homicídios e lavagem de dinheiro. A decisão será oficializada por meio de resolução do Poder Executivo e, segundo o ministro, trará implicações diretas para a aplicação da lei. “Esta declaração facilita o nosso trabalho. Se caírem aqui, as penas por terrorismo são substancialmente maiores do que as penas por crimes comuns”, declarou Riera à imprensa. De acordo com o Ministério do Interior, a medida se insere em uma estratégia regional de segurança que prioriza a cooperação com o Brasil e demais países do Cone Sul, em resposta à expansão territorial das facções.
Argentina classifica PCC e CV como organizações terroristas

SÃO LUÍS, 29 de outubro de 2025 – A Argentina classificou oficialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A ministra da Segurança argentina, Patricia Bullrich, fez o anúncio em entrevista ao jornal La Nación. A declaração ocorreu no mesmo dia de uma megaoperação policial contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro, que mobilizou mais de 2,5 mil agentes. Segundo a ministra, a polícia argentina identicia presos ligados a essas facções brasileiras por meio de tatuagens e seu modo de operar. Bullrich informou que o país mantém atualmente pelo menos 39 brasileiros presos, com cinco ligados ao CV e até oito ao PCC. Esses detentos ficam isolados no sistema prisional para impedir que exercitem poder sobre outros internos, uma prática comum no Brasil e no Paraguai.
Distribuidora ligada ao PCC mantém contratos com governo Lula

BRASIL, 05 de setembro de 2025 – A Rede Sol Fuel Distribuidora, alvo da Operação Carbono Oculto por supostos vínculos com o PCC, mantém contratos ativos de R$ 424 milhões com o governo federal. A empresa fornece combustível para a Presidência da República, ministérios como Fazenda, Defesa e Saúde, e para a Polícia Militar do Rio de Janeiro. As investigações apontam que o proprietário, Valdemar de Bortoli Júnior, tem sólidos vínculos com esquemas de fraude e lavagem de dinheiro. Entre os principais contratos, destacam-se o fornecimento de querosene de aviação ao Comando da Aeronáutica, no valor de R$ 154 milhões, e de gasolina comum para a PMERJ, por R$ 148 milhões. Além disso, a Presidência da República consome R$ 3,1 milhões em combustível para veículos e residências oficiais. Os contratos têm vigência entre um e cinco anos.
Filho de Lewandowski advoga para empresa ligada ao PCC

SÃO PAULO, 02 de setembro de 2025 – Enrique de Abreu Lewandowski, filho do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, é um dos advogados da Terra Nova Trading, empresa vinculada a um esquema de fraude bilionária que envolve o Primeiro Comando da Capital (PCC). A apuração do Ministério Público de São Paulo (MPSP), da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal mostra relações entre a facção criminosa, o setor de combustíveis e instituições financeiras. O caso foi exposto na Operação Carbono Oculto. Enrique Abreu Lewandowski consta em ações na Justiça como defensor da empresa Terra Nova Tranding. A empresa, segundo investigação da Polícia Federal em 2020, teria sido instrumentalizada para gerar créditos tributários falsos, inflar preços em transações internas e lavar dinheiro do crime organizado. Segundo as investigações, a Terra Nova Trading era usada por Mohamad Hussein Mourad, apontado pelo MPSP como “epicentro das operações” no esquema bilionário de fraudes. Por meio da Terra Nova, Mourad importava nafta com imposto reduzido (1%, contra 25% em São Paulo), barateando a produção de combustíveis de forma ilegal. Enrique de Abreu Lewandowski aparece como advogado da Terra Nova Tranding em processo que tramita no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), numa ação de direito tributário. O último andamento é de 2019 e Enrique ainda consta como advogado ativo da causa. Enrique Lewandowski também atua em causa no Tribunal de Justiça de São Paulo, datada de 2021. OUTRO LADO O ministro Ricardo Lewandowski não tinha se manifestado até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto. Por meio de nota, a assessoria de Enrique Lewandowski comentou a relação do defensor com a Terra Nova. “O advogado Enrique Lewandowski não atua no caso citado pela reportagem. Ele atua nas áreas cível e tributária para a Terra Nova Trading desde 2018. Enrique não advoga em temas criminais e não conhece processos nos quais não está constituído como representante legal. Ele repudia qualquer tentativa de criminalização da atividade advocatícia, reafirmando o compromisso com a legalidade e a ética profissional”. Já a Terra Nova negou envolvimento em atividades ilegais. Continue lendo…
Após ação contra PCC, Receita endurece regras às fintechs

BRASIL, 29 de agosto de 2025 – A Receita Federal publicou nesta sexta (29) uma nova instrução normativa que iguala as regras de transparência das fintechs aos grandes bancos , um dia depois a Polícia Federal revelou a existência de um esquema bilionário do PCC para lavar dinheiro do crime organizado no mercado financeiro. A equalização das regras foi anunciada na véspera pelo ministro Fernando Haddad , da Fazenda, para impedir a fiscalização e tornar obrigatório o registro de todas as movimentações financeiras destas instituições. “Esta Instrução Normativa estabelece medidas para o combate aos crimes contra a ordem tributária, inclusive aqueles relacionados ao crime organizado, em especial a lavagem ou ocultação de dinheiro e fraudes”, diz trecho da norma publicada no Diário Oficial da União Parte desta normativa já havia sido proposta pela Receita Federal em setembro do ano passado e entrou em vigor em janeiro deste ano, mas foi suspensa após a polêmica envolvendo uma suposta tributação do PIX , que tinha regras ligadas a esta instrução. No entanto, após a revelação da Polícia Federal, o órgão afirma ser necessário suportar a fiscalização das fintechs. “Nós já sabíamos que, por conta desse descartável, desse limbo regulatório, há um espaço que foi encontrado pelo crime organizado para utilizar essas instituições. Agora, com essa transparência, com essa comunicação adequada à população, este é o momento de nós voltarmos a esse debate e exigir das fintechs nada além do que sempre se categoria de todas as instituições financeiras no Brasil há mais de 20 anos, em que precisam ter um padrão de transparência”, afirmou Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal, em entrevista à GloboNews . Barreirinhas reforçou, no entanto, que os nomes dos correntistas não são informados pelos bancos e nem serão obrigatórios às fintechs, apenas os valores movimentados são que deverão ser reportados à Receita. As investigações da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público de São Paulo mostraram que o PCC tem R$ 30 bilhões em 40 fundos de investimento geridos principalmente por fintechs com sede na Avenida Faria Lima, em São Paulo – considerada a “coração” do mercado financeiro brasileiro.