MPMA aciona prefeito e primeira-dama por esquema em licitação

MPMA BURITICUPU

BURITICUPU, 26 de março de 2026 – O Ministério Público do Maranhão (MPMA) ajuizou uma Ação Civil Pública por atos de improbidade administrativa contra oito pessoas e duas empresas. O prefeito de Buriticupu, João Carlos Teixeira da Silva, e a primeira-dama, deputada estadual Edna Santos Silva, estão entre os acionados. A ação foi ingressada pela 1ª Promotoria de Justiça do município no último dia 20. A investigação revelou a existência de um esquema estruturado em diferentes núcleos. O núcleo político era liderado pelo prefeito e pela primeira-dama. O núcleo administrativo contava com facilitadores e beneficiários, incluindo o chefe de gabinete, secretários municipais e um ex-secretário que atualmente exerce o cargo de vereador. ESQUEMA EMPRESARIAL As apurações identificaram um núcleo empresarial formado por Antonio Pereira da Silva e Izaque Gomes Araújo. As empresas envolvidas são a A. Pereira da Silva Ltda. e a Natuba Empreendimentos e Consultoria. Dois operadores financeiros, Joseli de Souza Pereira e Sergio Soares de Amorim, compunham o núcleo operacional do esquema. O desvio de recursos foi descoberto durante investigações sobre o pregão eletrônico n° 006/2003. A licitação previa a aquisição de gêneros alimentícios para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A empresa A. Pereira da Silva Ltda. foi declarada vencedora do certame. A Assessoria Técnica da Procuradoria Geral de Justiça apontou diversas irregularidades no processo. Entre elas estavam a criação de uma fase de pré-habilitação, pesquisa de preços deficiente, problemas no termo de referência e falta de divulgação do edital no site oficial. Os prazos legais também não foram observados. A empresa assinou dois contratos com a Prefeitura de Buriticupu, totalizando R$ 2.384.613,98. As investigações revelaram que a A. Pereira da Silva Ltda. não possuía nenhum trabalhador registrado nem veículo para distribuição dos alimentos. A empresa estava originalmente localizada em Pedreiras e se mudou para Buriticupu após a eleição do atual prefeito. Foram identificados itens com superfaturamento de até 70%, como o arroz branco tipo 1. O promotor de justiça Felipe Augusto Rotondo explicou na ação que a fraude foi consolidada pela montagem de um processo licitatório cheio de vícios e sem publicidade. O certame foi desenhado para que a empresa do “padrinho” do prefeito ganhasse contratos milionários. Ao todo, a empresa recebeu R$ 3.388.561,22 do Município de Buriticupu. Desse total, R$ 2.634.863,22 vieram das contas da Prefeitura, e R$ 753.698,00 foram pagos pelo Fundo Municipal de Saúde. TRANSFERÊNCIAS E LAVAGEM Parte dos recursos públicos recebidos pela empresa era transferida para diversas contas. Entre os destinatários estavam o prefeito, a primeira-dama e secretários municipais. Segundo o MPMA, a prática tinha o objetivo de dificultar o rastreio dos recursos e garantir a lavagem de capitais. O prefeito Carlos Teixeira da Silva movimentou, no período investigado, quase R$ 6 milhões. Edna Silva, além de movimentar recursos em suas contas bancárias, possuía um carro em seu nome que era utilizado por Antonio Pereira da Silva e por sua esposa, Chrystiane Piancó Lima. O prefeito afirmou que o veículo havia sido vendido, mas disse não lembrar o valor do negócio nem os detalhes do pagamento. As investigações apontaram que os repasses ilícitos eram realizados para vários secretários municipais, não apenas aqueles que contratavam os serviços. Essa prática serviria para garantir a governabilidade, o silêncio e a fidelidade ao esquema criminoso.

Operação apura grupo que desviou milhões com atuação no MA

operação Maranhão

MARANHÃO, 04 de março de 2026 – A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Rio (MPRJ) deflagraram, nesta quarta (4), a operação Pecunia Obscura para desarticular um esquema de fraudes contra fintechs e lavagem de dinheiro. Ao todo, agentes cumpriram quatro mandados de prisão e 23 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e no Maranhão. Até a última atualização, três pessoas haviam sido presas, enquanto um dos alvos segue foragido. As investigações apontam que a organização criminosa movimentou R$ 322 milhões nos últimos cinco anos. De acordo com o MPRJ, Yago de Araújo Silva é apontado como o líder do grupo, e Saulo Zanibone de Paiva, ainda foragido, atuava como seu braço direito. Além deles, foram presos Celis de Castro Medeiros Junior e Alex Maylon Passinho Dominici, ambos integrantes do núcleo responsável pela lavagem de dinheiro no Maranhão. A investigação teve início em março de 2021, após uma fintech registrar um golpe de R$ 1 milhão. Durante a apuração, os investigadores descobriram que os suspeitos utilizavam documentos falsos para explorar falhas no sistema da empresa e desviar os recursos. Com o apoio do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), foi possível identificar que o esquema era ainda maior. NÚCLEO MARANHENSE E EMPRESAS FANTASMAS Dessa forma, a apuração revelou que o grupo utilizava empresas de fachada para ocultar a origem do dinheiro obtido por meio das fraudes bancárias. Para ampliar a capacidade dos golpes, os criminosos criavam múltiplas contas digitais com documentos falsos. A investigação de uma única fintech lesada identificou ao menos 238 contas digitais usadas para transações que se aproveitavam de falhas no sistema. Além disso, a Justiça determinou o sequestro de R$ 150 milhões em bens e valores dos envolvidos. Parte das operações financeiras do esquema, conforme o inquérito, envolveu negociações com o grupo de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”. Glaidson, no entanto, não é alvo da operação desta quarta.

PF abrirá inquérito contra entidade ligada a deputado do MA

inquérito Deputado

MARANHÃO, 07 de novembro de 2025 – O juiz Francisco Renato Codevila Pinheiro Filho, da 15ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal (SJDF), determinou a abertura de um novo inquérito contra Abraão Lincoln Ferreira, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA). A decisão foi tomada após depoimento prestado por ele à CPMI do INSS, na segunda (3), no qual teria cometido falso testemunho. Abraão Lincoln é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos indevidos de benefícios previdenciários. Durante a oitiva, o líder sindical foi preso por supostamente ocultar ligações com um esquema de irregularidades financeiras, que movimentou centenas de milhões de reais. Durante a sessão, integrantes da CPMI revelaram que a CBPA aumentou de quatro para 757 mil cadastros entre 2023 e 2025 e tentou incluir 40 mil pessoas já falecidas como filiadas. Segundo os parlamentares, a entidade recebeu cerca de R$ 221 milhões em descontos associativos, equivalente a aproximadamente R$ 10 milhões por mês. Ainda conforme as investigações, foram identificadas transferências de cerca de R$ 5 milhões da CBPA ao deputado estadual maranhense Edson Araújo (PSB-MA), vice-presidente da confederação. O caso ampliou o alcance das apurações e pode envolver novas figuras políticas. Durante o depoimento, o advogado de Lincoln, Emmanoel Campelo, orientou o cliente a não prestar o termo de compromisso de testemunha, sustentando que, por já ser investigado judicialmente, ele tinha direito de permanecer em silêncio.

CPMI quer mais 19 na cadeia, após Careca e sócio presos

CPMI INSS

MARANHÃO, 12 de setembro de 2025 – A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS defendeu nesta sexta (12) a prisão de mais 19 investigados por envolvimento no esquema de desvios bilionários contra aposentados e pensionistas. A cobrança ocorreu logo após a detenção de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e de seu sócio Maurício Camisotti, ambos apontados como articuladores das fraudes. Segundo a comissão, os investigados incluem dirigentes de sindicatos e associações suspeitos de operar empresas fantasmas utilizadas para movimentar recursos desviados de benefícios previdenciários. Os parlamentares afirmaram que irão solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a liberação dos presos para que prestem depoimento já nas próximas sessões da CPMI.

Yglésio aponta conivência do Estado com o crime organizado

Yglésio denúncia

MARANHÃO, 06 de maio de 2025 – Em discurso sobre o assassinato do Tenente Coronel André Felipe, o deputado Dr. Yglésio fez duras críticas ao sistema de segurança pública e listou uma série de deficiências estruturais. “Tem que ser desfeito esse pacto com essas facções, de tratar facção com diálogo. Tem que ‘descer o cacete’ em facção aqui no Maranhão!” A crítica, é claro, não era só à criminalidade crescente, mas também à forma carinhosa com que o sistema trata quem transgride. “Como é que um vagabundo daquele, 21 anos de idade, um vagabundinho como aquele, entra com advogado pago pela facção. A gente tem que fazer essa reflexão. Porque não era para ter proteção da facção a um cidadão como aquele, e está lá, claramente, eles contam com a leniência do nosso processo penal frágil. Volto a dizer: o cara estava com o mandado de prisão em aberto por roubo, duas semanas que não foi cumprido, e a resultante inequívoca disso foi o fim da vida de um valoroso membro da Polícia Militar.” Na oportunidade, Yglésio relembrou o episódio de uma audiência de custódia em que uma juíza “perguntava ao bandido se ele queria um café e um cobertor”. Um retrato, segundo ele, do “banditismo romantizado no Brasil”. E citou, ainda, casos emblemáticos como o do jornalista Décio Sá e do também jornalista Maldine Barros, ambos assassinados e cujas investigações — adivinhe — não deram em nada. O deputado sugeriu, como quem revela um segredo mal guardado, que “as facções comandam o crime lá de dentro de Pedrinhas” com uma tranquilidade que faria inveja a qualquer CEO. Afinal, organização é o que não falta. O deputado não precisou dizer diretamente que o Estado age como cúmplice. “Quando a gente pega, por exemplo, e vê o Lewandowski, à frente do Ministério da Justiça, como tinha o Flávio Dino antes subindo em morro, que a Polícia Militar não sobe, com a maior tranquilidade, a gente tem a certeza de que com esta administração do país não tem perspectiva de vitória sobre a bandidagem. Ao contrário, tem a conivência, existe a conivência clara da alta cúpula do Governo Federal com a bandidagem.

Máfia das placas de táxi envolve dezenas de oficiais da PMMA

Máfia esquema

MARANHÃO, 17 de dezembro de 2024 – O escândalo envolvendo a máfia das placas de táxi no Maranhão implicou 27 oficiais da Polícia Militar, entre coronéis, tenentes-coronéis, majores e capitães. A lista dos envolvidos foi divulgada na segunda (16), com exclusividade no blog de Joerdson Rodrigues. As fraudes consistiam na obtenção de alvarás de taxistas emitidos por prefeituras do interior do estado. Esses documentos eram utilizados para a compra de veículos com descontos de até 30%. No esquema dentro da PMMA, cinco coronéis, três tenentes-coronéis, oito majores e 11 capitães foram identificados. Além dos militares, servidores de outras secretarias estaduais, funcionários do Tribunal de Contas do Estado e até membros do Ministério Público do Maranhão também estão sob investigação.

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