Mortes de indígenas ianomâmis somam 1,1 mil no governo Lula

BRASIL, 21 de agosto de 2026 — O Ministério da Saúde registrou 1.121 mortes de indígenas ianomâmis entre 2023 e 2025. Os óbitos ocorreram na Terra Indígena Yanomami. As causas incluem doenças e a ação do crime organizado na região. Os dados foram enviados ao Congresso Nacional. O presidente do STF, Edson Fachin, procurou a senadora Damares Alves para tratar do assunto. Eles discutem uma missão ao território nas próximas semanas. O objetivo é acompanhar a situação das comunidades de perto. O governo federal contestou a interpretação dos números. Em nota, afirmou que a comparação precisa levar em conta as condições de atendimento em cada período. O Executivo diz que, entre 2019 e 2022, a estrutura de saúde piorou. Muitas unidades ficaram fechadas ou destruídas. Por isso, os registros de mortes eram subnotificados. Desde 2023, o governo ampliou o atendimento médico e a vigilância epidemiológica. Os dados oficiais mostram queda de 29,5% nas mortes no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2023. Os números caíram de 224 para 158. As mortes por malária foram zeradas. Já os óbitos por desnutrição recuaram 75,7%. As infecções respiratórias agudas diminuíram 40,8%. Além disso, a quantidade de profissionais de saúde na região saltou de 690 para mais de 2,1 mil. Sete polos-base foram reabertos. Hoje, os 37 polos e as 40 Unidades Básicas de Saúde funcionam normalmente. O Centro de Referência de Surucucu também está ativo. O governo também combateu o garimpo ilegal. Entre março de 2024 e agosto de 2026, a abertura de novas áreas caiu 99%. As operações causaram prejuízo de R$ 768 milhões aos garimpeiros. Foram distribuídas mais de 205 mil cestas de alimentos. O Executivo mobilizou R$ 1,8 bilhão em créditos para saúde, segurança e logística. Apesar disso, os 1.121 óbitos registrados mantêm a crise ianomâmi no centro dos debates sobre a atuação federal na região.
Candidaturas indígenas batem recorde em 2026

BRASIL, 20 de agosto de 2026 — As Eleições 2026 terão o maior número de candidatos indígenas da história. Um levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) contabilizou 191 registros. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu esses pedidos até segunda (17). Apesar do recorde, esse número representa menos de 1% do total de 20.506 candidaturas no país. A Apib explica que esse é o maior índice desde 2014. Foi nesse ano que a Justiça Eleitoral passou a exigir a informação de cor e raça. Em comparação com 2022, o crescimento foi de quase 3%. Na época, eram 186 candidatos indígenas. Já em relação a 2014, o salto é ainda maior: cerca de 125%, pois haviam apenas 85 registros. A maioria dos candidatos disputa vagas nas Assembleias Legislativas e na Câmara dos Deputados. São 99 postulantes a deputado estadual e 75 a deputado federal. Além disso, há 4 candidatos a senador, 3 a governador e 3 a deputado distrital. Os demais concorrem a suplências e vice-governos. O cargo de deputado federal foi o que mais cresceu: saiu de 59, em 2022, para 75 neste ano. Os candidatos estão espalhados por 26 dos 27 estados brasileiros. Eles representam 64 etnias diferentes. A Amazônia Legal concentra 42% do total, com 80 candidaturas. O Sudeste vem em seguida, com 36 registros. Nordeste tem 34, Centro-Oeste tem 27 e Sul tem 14. Os povos com mais representantes são os Macuxi (13), Guarani Kaiowá (12) e Guarani (8). Mulheres indígenas também marcam presença. São 84 candidatas, o que representa 44% das vagas indígenas. Esse percentual é maior que a média geral de mulheres na política, que é de 35%. Desde 2014, o número de indígenas femininas cresceu cerca de 190%. Elas passaram de 29 para 84 candidaturas.
Número de indígenas e quilombolas aptos a votar cresce no BR

BRASIL, 21 de julho de 2026 — O número de indígenas e quilombolas aptos a votar aumentou bastante no Brasil. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou os dados do cadastro para as Eleições 2026. Os eleitores indígenas saltaram de 155.661, em 2024, para 287.157 neste ano. O crescimento foi de 84%. Já o eleitorado quilombola quase dobrou no mesmo período. Ele passou de 95.409 para 188.371 pessoas, o que representa alta de 97%. Esse avanço está ligado à atualização do cadastro eleitoral. Desde novembro de 2022, a Justiça Eleitoral começou a coletar informações autodeclaratórias. Os eleitores podem informar sua identidade étnica e pertencimento a comunidades quilombolas ou tradicionais. Como esses dados dependem da atualização feita pelos próprios cidadãos, a base de dados tende a crescer gradualmente. A Região Norte concentra o maior contingente de eleitores indígenas. Cerca de 47% desse grupo está lá. O número na região foi de 74.506 para 136.978 em apenas dois anos. O Nordeste também teve avanço significativo. A região mais que dobrou o total de indígenas autodeclarados, de 35.440 para 71.346. Além disso, Centro-Oeste, Sudeste e Sul também registraram crescimentos. O Amazonas liderou o aumento absoluto de indígenas cadastrados. O estado somou mais de 36 mil novos registros. Em seguida, aparecem Pernambuco, Roraima, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará. Os dados também mostram as principais etnias no cadastro. São elas: Tikúna, Makuxí, Kokama, Xucuru, Kaingang, Xavante, Tenetehara, Mundurukú, Guarani Kaiowá e Terena. Elas estão distribuídas principalmente nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul. No Maranhão, a etnia Tenetehara está entre as mais representativas. No caso dos quilombolas, o Nordeste continua com o maior número de votantes. A região foi responsável pela maior parcela do crescimento nacional. O total passou de 51.633 para 95.901 eleitores entre 2024 e 2026. O Sudeste registrou a maior expansão proporcional. Norte, Centro-Oeste e Sul também apresentaram aumento. Entre os estados, Minas Gerais liderou o crescimento absoluto. O estado passou de 12.712 para 31.487 pessoas aptas a votar.
Indígenas protestam na MA-014 por transporte escolar

VIANA, 11 de março de 2026 – Indígenas do povo Akroá Gamella realizaram um protesto na manhã desta quarta (11) na rodovia MA-014, no município de Viana, na Baixada Maranhense. O grupo reivindicou a garantia de transporte escolar para estudantes da Terra Indígena Taquaritiua que frequentam escolas públicas municipais na sede da cidade. Os manifestantes bloquearam a via e exibiram cartazes para chamar a atenção das autoridades. Segundo lideranças da comunidade, a ausência de transporte escolar tem prejudicado a rotina das crianças que precisam se deslocar diariamente até as unidades de ensino do município. De acordo com representantes do povo Akroá Gamella, a situação ocorre com frequência no início de cada ano letivo. Em nota divulgada pelo coletivo Pihyy, responsável pela comunicação da comunidade, os indígenas afirmaram enfrentar incertezas sobre a disponibilidade e as condições do transporte escolar destinado aos estudantes.
MPF exige saúde integral aos indígenas Ka’apor no Maranhão

MARANHÃO, 20 de fevereiro de 2026 – O Ministério Público Federal recomendou que o DSEI/MA garanta atendimento de saúde integral, contínuo e igualitário aos Ka’apor que vivem na Terra Indígena Alto Turiaçu, no Maranhão. A medida ocorreu após relatos de restrições no serviço motivadas por divergências internas na comunidade, segundo informações recebidas pelo órgão. Além disso, o MPF fixou prazo de 15 dias para que o distrito informe as providências adotadas. Caso não haja resposta adequada, o órgão poderá adotar medidas judiciais. Dessa forma, a recomendação busca assegurar que os Ka’apor não sofram interrupções ou limitações no acesso às políticas públicas de saúde. De acordo com os relatos analisados, profissionais do DSEI teriam enfrentado pressões internas para não atender determinados grupos da própria etnia Ka’apor. As restrições, conforme apontado, estariam relacionadas a divergências entre representantes e diferentes formas de organização social dentro da comunidade indígena.
Justiça exige plano de proteção para terras indígenas no MA

MARANHÃO, 8 de outubro de 2025 – O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) determinou a criação de um plano interinstitucional permanente para proteger as Terras Indígenas Araribóia e Governador, no Maranhão. A decisão, proferida em 26 de setembro pela 12ª Turma do tribunal, atendeu a um pedido do Ministério Público Federal (MPF) e reformou uma sentença anterior da Justiça Federal. A medida determina que a União, Funai, Ibama e o estado do Maranhão elaborem e iniciem a implementação do plano em 180 dias, com participação das comunidades indígenas. Além do plano principal, os entes públicos têm 30 dias, a partir da publicação do acórdão, para realizar ações de fiscalização urgentes e contínuas na Terra Indígena Governador. A medida visa combater o agravamento da violência e da exploração madeireira ilegal na região. O plano permanente ficará sob supervisão judicial, garantindo o cumprimento das obrigações por parte dos órgãos responsáveis.
Confronto entre indígenas e madeireiros deixa um morto no MA

MARANHÃO, 09 de agosto de 2025 – Um indígena do povo Pyhcop Catiji Gavião ficou ferido e um suposto madeireiro foi morto durante confronto na madrugada de sexta (8), na Terra Indígena Governador, em Amarante do Maranhão. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), madeireiros armados tentavam invadir a aldeia para assassinar um morador. O caso é investigado pela Polícia Federal. O Cimi informou que a tensão no território começou em julho, quando lideranças flagraram madeireiros retirando estacas dentro da área indígena. Desde então, as denúncias de invasão e extração ilegal de madeira aumentaram. Além disso, os invasores estariam utilizando drones durante a noite para intimidar a comunidade. Na última terça (5), um indígena foi atacado por três homens enquanto dormia. Eles o agrediram e jogaram água quente sobre seu corpo, causando queimaduras de segundo e terceiro grau.
ONG cotou comida para indígenas em loja de autopeças

BRASÍLIA, 26 de junho de 2025 – Contratada pelo Ministério da Saúde para prestar serviços de atenção à saúde de indígenas na Amazônia, a Fundação São Vicente de Paulo, ONG sediada em Minas Gerais, apresentou orçamentos de gêneros alimentícios fornecidos por uma loja de autopeças. A prática, identificada em relatório do Departamento Nacional de Auditoria do SUS, serviu para as cotações de preços exigidas por lei. A irregularidade compõe um conjunto de falhas encontradas na execução do convênio firmado com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). A apuração é do portal Metrópoles. Segundo o relatório, uma das empresas consultadas para a cotação de itens como café da manhã e lanches destinados às aldeias do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Negro não atua no setor alimentício, mas na revenda de peças automotivas. A auditoria também encontrou divergências nos valores apresentados e detectou que, em alguns casos, as três cotações eram fornecidas por empresas ligadas entre si, o que indica possível fraude. Durante a execução do contrato, constatou-se ainda a ausência de cotações para a contratação de bens e serviços, em desacordo com a legislação. O convênio foi firmado em 2018, mas a cotação com a loja de autopeças aconteceu apenas em 2022, e a conclusão da auditoria foi apenas em 2024. Nesse intervalo, a ONG recebeu R$ 184,3 milhões dos R$ 221 milhões previstos no contrato. Os repasses continuaram até julho de 2024, já no governo Lula, que só então suspendeu o convênio e solicitou a devolução de apenas R$ 1,1 milhão — o equivalente a 0,6% do total. FUNDAÇÃO NÃO TEM ESTRUTURA PARA ATENDER INDÍGENAS O relatório revelou ainda que a fundação não possui sede operacional, nem estrutura mínima para atender mais de 26 mil indígenas em 666 aldeias, localizadas em uma das regiões mais remotas da Amazônia. Termos genéricos como “material didático”, “consultoria” e “alimentação” aparecem nos documentos sem detalhamento de quantidades, preços nem cronogramas de entrega. Em muitos casos, nem sequer se especifica o que seria adquirido.