Poupança tem saldo negativo de R$ 5,8 bilhões em setembro

BRASIL, 06 de setembro de 2023 – A caderneta de poupança brasileira continuou a enfrentar desafios em setembro, com um terceiro mês consecutivo de saldo negativo. Segundo o Banco Central, as retiradas superaram os depósitos em R$ 5,8 bilhões durante o mês, um indicativo de que muitos brasileiros continuam a buscar alternativas de investimento. Essa tendência de saída de recursos da poupança vem sendo observada nos últimos meses, e o saldo negativo de setembro se segue a uma saída líquida de R$ 10 bilhões em agosto e de R$ 5,9 bilhões em setembro de 2022. Os dados divulgados fazem parte do Relatório de Poupança, que fornece informações diárias sobre os depósitos nessa modalidade de investimento, bem como outros detalhes relacionados ao Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), poupança rural, captação líquida e muito mais. Durante o mês de setembro, os investidores aplicaram um total de R$ 306,1 bilhões na poupança, enquanto os saques somaram R$ 311,9 bilhões. Quando se considera o rendimento de R$ 6,1 bilhões gerado durante o mês, o saldo total na caderneta de poupança atingiu R$ 968,3 bilhões ao final do período. É importante notar que a poupança é tradicionalmente vista como uma opção segura de investimento devido à sua baixa volatilidade, mas a persistente inflação no Brasil tem corroído o poder de compra dos investidores, tornando a poupança menos atraente. Como resultado, muitos brasileiros têm buscado alternativas mais rentáveis para proteger seu dinheiro contra a inflação.
Polícias terão acesso a dados de usuários do PIX sob investigação

BRASÍLIA, 23 de agosto de 2023 – O Banco Central (BC) divulgou nesta quarta (23) que autoridades, como agentes de polícia e Ministérios Públicos, terão acesso irrestrito aos dados cadastrais de usuários do PIX, utilizando as chaves de suspeitos em investigação. A medida entrará em vigor em 1º de setembro e abrange entidades públicas com poderes legais de persecução penal, controle ou apuração de irregularidades. É importante ressaltar que as informações relacionadas às transações do PIX, como transferências, compras e saques, protegidas pelo sigilo bancário, não estarão incluídas nessa funcionalidade, conforme afirmou Breno Lobo, consultor do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro (Decem) do BC. Os dados que as autoridades terão acesso incluem informações como o nome do usuário, CPF/CNPJ, chaves cadastradas, instituição de relacionamento, número da agência e da conta, tipo de conta, data de criação da chave, data de abertura da conta, entre outros. Atualmente, o fornecimento desses dados ocorre de maneira não automatizada, mediante solicitação dos agentes. Com essa nova medida, a disponibilização será instantânea, agilizando o processo de investigação. O BC justifica essa decisão com base nos crimes associados aos meios de pagamento eletrônicos e na velocidade das transações financeiras, que demandam uma troca de informações mais ágil entre os órgãos responsáveis pela investigação e prevenção desses delitos.
Drex será o nome do real digital; entenda como vai funcionar

BRASIL, 07 de agosto de 2023 – O Banco Central divulgou nessa segunda (7) o nome oficial do real no formato digital. Será Drex, marca que evoca as palavras “digital”, “real”, “eletrônico” e “transação”. Segundo o coordenador da iniciativa no Banco Central, Fabio Araujo, a nova moeda digital dará “um passo a mais na família do Pix”. Durante transmissão ao vivo online, Araujo explicou que o real digital não é uma criptomoeda, mas uma representação do real na plataforma digital, podendo ser usado para pagamentos, compra e venda de um carro ou um imóvel, para a tomada de empréstimos, dentre outras transações bancárias. Segundo Araujo, a economia no mundo já está toda “tokenizada”, com músicas, obras de arte e ativos financeiros no meio digital cuja autenticidade é assegurada por um token. Para o coordenador do real digital, as moedas digitais dos bancos centrais é o passo que falta para completar essa transição da economia de forma mais segura. A expectativa é que a nova moeda digital brasileira democratize o acesso aos serviços financeiros, baixando o custo de produtos, como empréstimos e seguros, e facilitando o ingresso no ambiente dos investimentos, aumentando, assim, a bancarização no Brasil. “Esperamos que o real digital permita que os produtos [financeiros] já oferecidos hoje possam ir na direção das necessidades das pessoas, com mais variedade e a um custo mais baixo”, disse Araujo. Segundo o coordenador da iniciativa, a automatização de processos será responsável por essa redução de custos e inclusive é o que diferenciará o Drex do Pix. “O Pix está ligado no sistema financeiro tradicional, e tem todos os custos de operacionalização e de recuperação de crédito. E, nesse ambiente [Drex], a operacionalização já faz parte da tecnologia, e a recuperação de crédito é simples”, explica. Um exemplo de como a plataforma do Drex pode ser usada no dia a dia é na intermediação da comercialização de um carro ou um imóvel. Com a moeda digitalizada será possível realizar o processo de venda e compra de uma forma mais segura e confiável, retirando os custos com os intermediários. Sem estabelecer data para o lançamento do Drex, o chefe de Segurança Cibernética e Inovação Tecnológica do BC, Aristides Cavalcante, explicou que, neste início da fase de testes, há um grande desafio a ser superado: o da privacidade, algo não assegurado hoje pelas blockchains das moedas digitais que já existem, como o Bitcoin. Segundo Cavalcante, para o sucesso da plataforma, é preciso assegurar que ela esteja de acordo com as exigências do sigilo bancário, e da Lei Geral de Proteção de Dados, para impedir que terceiros abram e rastreiem todas as transações bancárias da população. “Quando se oferece uma plataforma regulada, com todos os atores bem reconhecidos, a gente traz uma vantagem”, diz Cavalcante. Ainda segundo Cavalcante, a paralisação de funcionários do Banco Central também pode afetar o calendário de desenvolvimento da Drex, assim como acontece com outros serviços do BC. Confira entrevista na íntegra.
Economia ou Comédia: Ana Paula Lobato quer tirar Campos Neto do Banco Central

SÃO LUÍS, 26 de junho de 2023 – Ao longo de sua trajetória política a simpática senadora Ana Paula Lobato (PSB) nunca demonstrou publicamente conhecimentos mínimos sobre economia básica. O que, de certo, não significa que não os possua. Cumpriu bem o papel de importante liderança local na Baixa Maranhense, a região mais miserável do Maranhão, e saiu-se bem como companheira do deputado estadual e ex-presidente da Assembleia, Othelino Neto. Recentemente ela protocolou um pedido de exoneração do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. DOIS LADOS DE MOEDAS DIFERENTES Pois bem, aparentemente bastaram alguns meses para que a senadora desse um salto em sua atuação e, de liderança secundária regional, envergasse autoridade para questionar a política monetária do presidente do Banco Central, o economista Roberto Campos Neto. Campos Neto é membro de uma linhagem de economistas, sendo neto do lendário Roberto Campos. Tem passagens pelas mais diversas instituições financeiras internacionais e recebeu, ao longo de seu mandato como presidente do Banco Central, diversos prêmios concedidos, em grande parte, por outros membros de bancos centrais do mundo. Já Ana Paula Lobato, que protocolou o pedido de exoneração de Campos Neto da presidência do Banco Central no Conselho Monetário Nacional na última sexta (23), sustenta um diploma de enfermagem e um vazio absoluto no currículo de cargo, ocupação de função e/ou declaração sobre qualquer aspecto de macroeconomia, microeconomia e/ou educação financeira em todos os seus 40 anos de vida. ATESTADO ASSINADO O documento de pedido de exoneração de Campos Neto possui três páginas. E, acreditem, em uma boa parte dele tem como base indicadores positivos da política monetária comandada por… Campos Neto. O documento assinado pela senadora atinge seu auge entre o 10º e 13º parágrafo da peça, Ana Paula Lobato apresenta e elogia os resultados da política monetária nacional como justificativa para a demissão do homem que toca a política econômica do país nos últimos quatro anos. Diz o documento bisonho de Ana Paula Lobato: Recentemente, o economista Robin Brooks, presidente do Instituto de Finanças Internacionais, declarou que o Brasil está se tornando um país com estabilidade externa e moeda forte, porquanto se verifica um crescente e persistente superávit comercial frente aos outros países da região, especialmente Argentina e México. Também recentemente, a Standard and Poor’s, uma das três maiores agências de avaliação de riscos do mundo, aumentou a nota do Brasil, o que não ocorria havia quatro anos e ainda sinalizou que pode continuar melhorando a classificação do nosso país. Registre-se, por sua relevância, a consistente queda que vem tendo a inflação, atingindo patamares inferiores aos do Primeiro Mundo. Pode parecer mentira, mas a senadora maranhense teve a coragem de pedir o afastamento de Campos Neto enaltecendo os bons resultados da política monetária do próprio Campos Neto. E isso lançando mão na conversa fiada de “elevada taxa de juros” que anda fazendo a cabeça de gente leiga Brasil à fora. Para quem se deu ao trabalho de ler o mínimo sobre política monetária, o que não parece ser o caso de Ana Paula Lobato, a elevação da taxa de juros é a principal arma de combate à inflação. O fenômeno inflacionário atual é um fenômeno planetário. E as medidas monetárias aplicadas por Campos Neto ainda durante a pandemia não foram apenas elogiadas por seus pares em outros bancos centrais do mundo, mas copiadas. Ainda no mês passado, para ficar em exemplo recente, o Banco Central dos EUA elevou sua taxa de juros e foi prontamente acompanhado pelo Banco Central Europeu. Mantendo uma tendência de alta nos últimos anos. Mas, talvez estejam todos certos e lá em alguma de suas aulas de enfermagem, tenha aprendo algumas teorias econômicas desconhecidas por economistas do mundo inteiro. No mais, dois dias após o pedido de exoneração apresentado pela senadora, o Boletim Focus, divulgado hoje (26), diminuiu a estimativa inflacionária do Brasil em 2023 e aumentou a expectativa do PIB. De um lado os fatos e vastos relatórios de quem entende, do outro as três páginas de Ana Paula Lobato. ANA PAULA NO BANCO CENTRAL JÁ! O fato é que talvez estejam todos errados em todo lugar ao mesmo tempo e o pedido da senadora/enfermeira Ana Paula Lobato deva ser levado em consideração. Quem sabe, não é? Quem sabe? O presidente Lula poderia ir além e indicar a senadora para ocupar o cargo. O Brasil pode estar presenciando o nascimento de um prodígio na economia e não se dá conta disso. Quem sabe o nosso primeiro Prêmio Nobel recebido por um brasileiro não seja conquistado, na economia, pela Pinheirense? Basta ter fé. Na falta de conhecimento e propriedade, é preciso apenas ter fé. De resto, a postura de Ana Paula Lobato serve para evidenciar a completa inexistência de oposição no Senado. Duvido muito que algum senador ou deputado tenha a coragem de pedir à senadora Ana Paula Lobato uma explanação simples, coisa de 5 minutos, entre a relação que existe entre política monetária, taxa de juros e inflação.
Suplente de Flávio Dino pede exoneração do presidente do BC

BRASÍLIA, 21 de junho de 2023 – A senadora Ana Paula Lobato (PSB), suplente do Ministro da Justiça, Flávio Dino, solicitou ao Conselho Monetário Nacional (CMN) a demissão do atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. O pedido alega que Campos Neto apresenta um “desempenho insuficiente e recorrente” na consecução dos objetivos da instituição. Segundo Ana Paula, o presidente do BC não está cumprindo os requisitos estabelecidos pela Lei Complementar 179/2021, que garante a autonomia da instituição para “garantir a estabilidade de preços e, sem prejuízo disso, zelar pela estabilidade e eficiência do sistema financeiro, suavizar as flutuações da atividade econômica e promover o pleno emprego”. Em um tweet, a senadora afirmou que “Campos Neto está sabotando o Brasil” e anunciou a formalização do pedido de exoneração. “Formalizamos o pedido de demissão do presidente do BC devido à sua persistência em manter as taxas de juros injustificadamente, comprometendo a economia do país”, escreveu Lobato. O Governo Federal vem pressionando pela saída de Campos Neto do Banco Central desde o início do novo mandato. Na última quarta (21), o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano pela sétima vez consecutiva. Apesar das pressões do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o órgão não indicou uma redução da taxa na próxima reunião, que ocorrerá em agosto de 2023.
Pacheco se une a Lira em defesa da autonomia do Banco Central

Após o presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (Progressistas), manifestar sua contrariedade ao projeto petista de retirar a autonomia do Banco Central, foi a vez do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), criticar a possibilidade. “É uma autonomia que afasta critérios políticos de um órgão que tem um aspecto técnico muito forte, que é o Banco Central”, disse. Pacheco lembrou que o projeto que trata do tema foi aprovado no Senado e na Câmara, sancionado e depois confirmado no Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, a autonomia do Banco Central é um avanço para o país. Pacheco disse que é preciso cuidar dos problemas do país dentro da realidade que se apresenta — a da autonomia. Para ele, é importante buscar “pontes” entre o presidente Lula, que tem criticado os juros altos, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para que seja possível “ter um propósito comum bem-sucedido”. Ele definiu Campos Neto como um homem preparado e afirmou ver o presidente Lula como determinado a combater a fome e buscar estabilidade para o país. Mais cedo, o senador Otto Alencar (PSD-BA) também afirmou que “o melhor caminho é o entendimento”. O parlamentar admitiu considerar os juros muito altos (13,75% ao ano), mas disse esperar que quando Lula e Campos Neto se sentarem à mesa, um entendimento será possível para baixar a taxa.
Congresso vai manter autonomia do Banco Central, diz Arthur Lira

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), colocou-se contra uma possível proposta do governo Lula que revogue a autonomia do Banco Central (BC). Lira disse que a maioria dos parlamentares é contrária à revisão da regra. “Tecnicamente o Banco Central independente foi o modelo escolhido pelo Congresso”, afirmou Lira. A lei que define mandatos não coincidentes do presidente e dos diretores do BC com o do presidente da República tem sido questionada pela bancada governista (Lei Complementar 179/21). O líder do Psol, deputado Guilherme Boulos (SP), e 11 deputados, apresentaram proposta neste sentido nesta semana (PLP 19/23). O presidente Lula (PT) tem manifestado quase que diariamente sua insatisfação contra a política monetária do Banco Central. Lula reclama da resistência de Campos Neto em rever a taxa de juros. Na verdade, a grande mágoa de Lula diz respeito ao fato do Governo Federal não ter mais controle sobre o Banco Central. A instituição seguiu uma tendência mundial e deixou de ser subalterna e tornou-se independente com Jair Bolsonaro. O fato é que as declarações de Lira devem frear o avanço de Lula contra a instituição.
Campos Neto defende autonomia do Banco Central em palestra nos EUA

A independência do Banco Central (BC) é importante para que o país pague menos juros, disse hoje (7) o presidente do órgão, Roberto Campos Neto. Em palestra transmitida pela internet em Miami, Estados Unidos, ele declarou que a autonomia do órgão, que vigora desde o ano passado, teve como principal ganho desvincular a atuação da autoridade monetária dos ciclos políticos. “A principal razão, no caso da autonomia do Banco Central, é que desconecta o ciclo da política monetária do ciclo político, porque eles têm diferentes durações e interesses. Quanto mais independente você é, mais eficaz você é, menos o país pagará em termos de custo de ineficiência da política monetária”, declarou Campos Neto durante o evento 2023 Milken South Florida Dialogues, que trata de inovações digitais. Segundo Campos Neto, a autonomia do BC permite a construção de agendas que ultrapassam interesses de determinado governo. Ele citou inovações como o Pix e o open finance (compartilhamento autorizado de dados entre instituições financeiras) como legados da gestão do ex-presidente do BC Ilan Goldfajn, atual presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que estava no evento. “Ilan está aqui. Começou um grande trabalho, falando sobre inovação. Então cheguei lá [no Banco Central], a pressão era muito grande, porque ele fez um trabalho maravilhoso e pensei. Como posso melhorar o que foi feito?”, disse. As falas de Campos Neto ocorrem após várias críticas públicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à autonomia do BC e aos juros altos. Ontem (6), durante a posse do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, Lula classificou de injustificável a manutenção da Taxa Selic – juros básicos da economia – em 13,75% ao ano. “Se a classe empresarial não se manifestar, se acharem que vocês estão felizes com uma taxa de 13,5% [na verdade 13,75% ao ano], eles não vão abaixar os juros. Não existe nenhuma justificativa para que a taxa de juros esteja nesse patamar. É uma vergonha a taxa e a explicação que deram para a sociedade”, declarou Lula em discurso. Moeda digital Em sua palestra, Campos Neto disse que o BC está empenhado na criação do real digital. Segundo ele, a autoridade monetária pretende integrar a divisa digitalizada ao Pix e ao open finance. Na apresentação distribuída aos participantes e divulgada pela assessoria do BC, os planos preveem que a Central Bank Digital Currency (CBDC, moeda digital do Banco Central na sigla em inglês) comece a operar como um projeto piloto em 2023 e seja lançada no fim de 2024 ou começo de 2025.