
BRASÍLIA, 20 de abril de 2026 — A Polícia Federal descobriu que Luiz Phillipi Mourão, apelidado de “Sicário” e apontado como braço violento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, recebia R$ 1 milhão por mês. Esse valor era o pagamento por “serviços ilícitos” prestados pelo investigado.
Mourão ficava com R$ 600 mil do montante mensal. Ele usava o restante para pagar contratados fixos e eventuais decorrentes de suas atividades. A informação consta nas investigações da terceira fase da Operação Compliance Zero.
Entre 2020 e 2024, porém, Mourão declarou ao Imposto de Renda rendimentos totais de R$ 2,5 milhões. Esse valor viria de participação em empresas. O montante representa menos de um terço da evolução patrimonial registrada no período.
Além disso, o aumento do patrimônio não encontra respaldo em operações de crédito ou pagamentos formalmente registrados. Em 2024, ele declarou à Receita Federal bens no valor de R$ 8,4 milhões.
No mesmo ano de 2024, Mourão adquiriu três relógios avaliados em R$ 3,9 milhões. Ele informou à Receita apenas R$ 390 mil, correspondentes às parcelas iniciais.
Considerando esses ativos, o patrimônio efetivo do “Sicário” alcançaria cerca de R$ 11,9 milhões. As declarações ainda apresentam inconsistências frequentes. Há registros de retificações com aumento de valores ou inclusão posterior de bens.
Um exemplo das inconsistências é um apartamento em Belo Horizonte. O imóvel foi declarado inicialmente por R$ 1 milhão desde 2019. Em 2021, o valor foi reduzido para R$ 550 mil.
Por fim, em 2022, o preço foi novamente elevado para R$ 1 milhão. Ao menos duas declarações (anos-calendário de 2021 e 2022) tiveram o patrimônio mais do que dobrado depois dos ajustes.
Entre os bens declarados, chama atenção um relógio da marca Richard Mille avaliado em R$ 2 milhões. O item foi adquirido em 2024 e informado apenas pelo valor de uma parcela paga. Há ainda outros dois modelos da mesma marca, estimados em R$ 1,2 milhão e R$ 1 milhão.
A coleção inclui também dois relógios da grife Patek Philippe, avaliados em R$ 900 mil e R$ 800 mil.
O patrimônio declarado do “Sicário” aumentou mais de quatro vezes de 2019 a 2024. O valor alcançou cerca de R$ 11,9 milhões. A maior parte dos bens está concentrada em uma coleção de relógios de luxo.
A coleção foi declarada por ele em R$ 6,7 milhões. Mourão foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero. Ele estava sob custódia da Polícia Federal em Belo Horizonte.
No dia 6 de março, ele atentou contra a própria vida e morreu.







