
BURITICUPU, 22 de maio de 2026 — O Poder Judiciário do Maranhão afastou o prefeito de Buriticupu, João Carlos Teixeira da Silva, por 90 dias, após pedido do Ministério Público do Maranhão.
A decisão foi assinada pelo desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos e integra uma investigação sobre supostas fraudes em contratos da merenda escolar do município. Além disso, secretários municipais investigados também foram retirados dos cargos.
Durante a operação, equipes recolheram documentos, computadores, celulares, mídias digitais e outros materiais que passarão por perícia técnica.
Segundo os investigadores, a apuração busca esclarecer suspeitas de fraude em processos licitatórios, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro ligados ao fornecimento da merenda escolar da rede municipal de Buriticupu.
INVESTIGAÇÃO APURA LICITAÇÃO
As investigações têm como foco principal o Pregão Eletrônico nº 006/2023, realizado para aquisição de alimentos destinados ao Programa Nacional de Alimentação Escolar. Conforme o Ministério Público, há indícios de direcionamento da licitação e favorecimento à empresa contratada para o fornecimento da merenda escolar.
Entre os investigados aparecem empresários, um vereador, secretários municipais e ex-integrantes da Prefeitura. Ainda segundo o Ministério Público, análises financeiras apontaram movimentações bancárias consideradas incompatíveis com a renda declarada pelos envolvidos no caso.
A decisão expedida em 27 de abril também determinou o uso de tornozeleira eletrônica pelos alvos da operação durante o período de 90 dias. Dessa forma, as medidas cautelares buscam garantir o andamento das investigações sobre os contratos relacionados à merenda escolar.
RELATÓRIOS APONTAM IRREGULARIDADES
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, os investigados podem responder por crimes como peculato-desvio e corrupção. Os promotores afirmam existir um suposto acordo entre integrantes da prefeitura e a empresa A. Pereira da Silva LTDA para beneficiar contratos públicos ligados à merenda escolar.
As investigações também identificaram possíveis irregularidades no processo licitatório. Entre os problemas apontados estão falhas na divulgação do edital, ausência de informações obrigatórias no Termo de Referência e indícios de superfaturamento nos contratos analisados.
Os trabalhos são conduzidos pela Assessoria de Investigação da Procuradoria-Geral de Justiça, com apoio do Gaeco, da Coordenadoria de Assuntos Estratégicos e Inteligência e da Polícia Militar do Maranhão.
Relatórios de inteligência financeira reforçaram suspeitas sobre a existência de um possível esquema de “caixa dois” envolvendo os investigados.







