
BRASÍLIA, 05 de outubro de 2026 — A Procuradoria-Geral da República (PGR) opinou em julho que não havia provas nem elementos mínimos para justificar a abertura de um inquérito sobre interferência dos Estados Unidos na eleição presidencial brasileira.
Com esse entendimento, o gabinete do procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou naquela época uma representação para abrir investigação sobre o assunto. Nesta semana, o gabinete recebeu um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para abertura de inquérito do mesmo tema, em termos semelhantes, mas ainda não houve uma resposta.
Esse mesmo pedido da AGU foi enviado à Polícia Federal, que já mandou abrir inquérito.
O diretor-geral, Andrei Rodrigues, afirmou neste domingo, 4, que a corporação havia aberto uma investigação e delegou à Diretoria de Inteligência Policial a instauração de inquérito. Ele não deu detalhes sobre o procedimento, que ainda está em fase inicial.
Na manifestação de julho, a PGR apontou que o pedido não tinha elemento de corroboração e se baseava apenas em notícia na imprensa.
“A despeito da relevante preocupação manifestada pela representação, não há elementos mínimos que suportem uma atuação preventiva do Ministério Público Federal, o que não afasta, em momento oportuno, uma vez configurada efetiva atuação ilícita em território nacional, a instauração de investigação específica”, disse a PGR. Com isso, o pedido foi arquivado.
O ofício enviado nesta semana pela AGU, que ainda não teve resposta, também se limita a reproduzir uma matéria do jornal britânico The Guardian que aponta suspeitas de financiamento dos Estados Unidos a movimentos no Brasil para descredibilizar o STF.
Ao final, o órgão afirmou: “Nesse contexto, a informação é especialmente grave diante do processo eleitoral brasileiro em curso e dos episódios recentes de pressão externa sobre as instituições instituições brasileiras, conforme amplamente noticiado, o que inclui a aplicação de sanções a autoridades nacionais. Os fatos narrados são de extrema gravidade e meritórios de imediata apuração. Caso comprovado, o recebimento de capital estrangeiro para a promoção de ataques ordenados e sistemáticos à soberania nacional e ao funcionamento das instituições do Sistema de Justiça brasileiro, mediante a instrumentalização de fundos internacionais desviados de sua finalidade original de proteção aos direitos humanos, poderá revelar uma estrutura de ingerência externa em assuntos internos do Estado brasileiro, impondo a identificação dos responsáveis, notadamente, dos eventuais destinatários dos recursos em território nacional, para avaliação de eventual responsabilidade penal, na medida das condutas individualmente apuradas”.
O documento foi assinado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e outros três integrantes da equipe.










