
BRASÍLIA, 18 de maio de 2026 — Antes da mudança do delegado que coordenava as investigações de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social, a Polícia Federal (PF) avançava na apuração de informações relacionadas aos negócios de Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Lula.
Para isso, a equipe de investigadores marcou para o próximo dia 20 o depoimento da empresária Roberta Luchsinger, investigada sob suspeita de intermediar pagamentos a Lulinha.
Procurada, a defesa de Lulinha afirmou que já se colocou à disposição para prestar esclarecimentos e disse que ele não tem relação com os desvios do INSS.
“Acho que interessa ao Fábio e a nós todos que esses esclarecimentos sejam feitos o quanto antes, sabemos que isso tem uma dimensão eleitoral e não queremos permitir que isso seja usado porque o comportamento do Fábio é muito diferentemente dos filhos do Bolsonaro. Essa mudança de delegado seguramente não tem relação com esses fatos, o sigilo dele foi vazado e ninguém conseguiu achar nada, pelo simples motivo que não tem nada”, afirmou o advogado Marco Aurélio de Carvalho.
A defesa de Roberta não se manifestou.
A determinação para o depoimento de Roberta e de outros investigados foi feita em abril, quando o inquérito ainda tramitava sob o comando do delegado-chefe da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários.
No início deste mês, a PF tomou uma medida que substituiu o coordenador do caso: tirou o inquérito dessa divisão e o enviou para a estrutura da Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro, onde tramitará sob o comando de outro coordenador.
O delegado substituído tinha o conhecimento completo do caso, assinava peças da investigação, participava de depoimentos e também da negociação de acordos de colaboração.
Por isso, sua troca gerou desconfiança no gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e em políticos da oposição, que pediram esclarecimentos à PF.
Mas a equipe de delegados e agentes responsáveis pelo caso foi mantida e manteve a colheita de depoimentos já agendada, seguindo as linhas de investigação já definidas anteriormente.
A cúpula da PF afirma que a troca no comando do inquérito não vai impactar no andamento das investigações e permitirá conceder maior estrutura ao caso, com a manutenção do restante da equipe.
Em nota, a PF afirmou que decidiu transferir o inquérito do INSS do setor no qual ele tramitava, a divisão de repressão a crimes previdenciários, para a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (CINQ/CGRC/DICOR/PF), dentro da área de repressão a corrupção, crimes financeiros e lavagem.
Com isso, o delegado que coordenava o caso acabou sendo substituído. A PF afirma que fez a mudança para dar maior estrutura à investigação.
“A transferência foi concebida para assegurar maior eficiência e continuidade às investigações, uma vez que a CINQ (a nova área) possui estrutura permanente voltada justamente à condução de operações sensíveis e complexas com tramitação perante o Supremo Tribunal Federal. Ressalta-se que não houve alteração na equipe que conduz as investigações”, disse.







