
RIO DE JANEIRO, 19 de fevereiro de 2026 – Parlamentares aliados do presidente Lula (PT) não repercutiram o rebaixamento da escola de samba Acadêmicos de Niterói, do Rio de Janeiro, na quarta.
A escola de samba homenageou o petista no desfile de domingo e alega ter sofrido perseguições durante o processo de preparação para o carnaval. O resultado foi ironizado por bolsonaristas, que relacionaram a baixa pontuação ao enredo sobre o mandatário.
Nomes ligados ao Planalto como o senador Randolfe Rodrigues e Marcelo Freixo comentaram o resultado da apuração carioca, mas não trataram sobre a escola rebaixada.
Líder do governo no Congresso, Randolfe parabenizou as escolas de samba que desfilarão no Desfile das Campeãs, no sábado, e destacou a representação da cultura amazônica nos desfiles.
Já o presidente da Embratur optou por parabenizar a Viradouro pela vitória e defendeu que o carnaval “é cultura, identidade e também desenvolvimento”.
A passagem da agremiação pela Sapucaí provocou uma nova ofensiva bolsonarista sob alegação de que o petista cometeu ilícitos eleitorais que o favorecem na corrida à reeleição em outubro. O senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL), por exemplo, afirmou que “Lula é sempre uma ideia ruim, seja para governar o País, seja para um samba enredo.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) afirmou que escola de samba “desagradou a maioria, usou a máquina pública e ainda saiu do desfile para uma derrota humilhante”.
Já o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), por sua vez, disse que a “escola foi rebaixada demonstrando como o Lula está afundando o Brasil”. “Isto sim foi uma homenagem muito bem adequada”, completou.
DESGASTE COM EVANGÉLICOS
Lideranças petistas avaliam que o presidente será obrigado a fazer gestos aos evangélicos para se recuperar do desgaste provocado junto a essa parcela do eleitorado por causa do desfile.
A oposição critica uma das últimas alas da escola, a “Neoconservadores em conserva”, que trazia famílias dentro de latas, algumas com adereço com referência religiosa.
O entendimento entre os petistas é que, num primeiro momento, será necessário esperar um tempo para as críticas esfriarem. Um aliado afirma que as reações são resultado do impacto do desfile que ocorreu no domingo na Marquês de Sapucaí e que, com o tempo, elas irão arrefecer.
Esse mesmo aliado reconhece, porém, que haverá um desgaste mais cristalizado no segmento, que historicamente tem rejeição a Lula e ao PT.
Petistas acreditam ainda que será preciso fazer pesquisas, dentro de algumas semanas, para medir exatamente quais as consequências do episódio. A partir desses resultados, o presidente e o seu entorno terão que pensar em ações voltadas aos evangélicos.
Na campanha presidencial de 2022, Lula lançou, às vésperas do segundo turno e depois de ser pressionado intensamente pelo seu entorno, uma “Carta ao Povo Evangélico” em que reafirmava seu compromisso com a liberdade de culto e de religião no país.







