ARQUIVOS SECRETOS

Perícia de celulares de Daniel Vorcaro pode ir até 2027

Andre Reis
Compartilhe
pf vorcaro
PF ainda não analisou três celulares do Daniel Vorcaro e tem outros 60 aparelhos na fila. Trabalho deve durar meses e pode se estender por mais de um ano.

BRASÍLIA, 22 de junho de 2026  A Polícia Federal ainda não terminou a perícia de três celulares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Além disso, os agentes precisam analisar cerca de 60 outros aparelhos eletrônicos apreendidos. A investigação faz parte da Operação Compliance Zero. O trabalho deve durar meses. Se manter o ritmo atual, pode se estender até 2027.

O número de materiais apreendidos cresce a cada nova fase da operação. Os investigadores já encontraram oito celulares usados por Vorcaro em três ações diferentes. Desses, a PF periciou totalmente ou em parte apenas cinco aparelhos.

O primeiro celular foi apreendido na prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025. Esse aparelho contém a maior parte dos documentos importantes até agora.

A PF também analisa milhares de documentos físicos para comparar com as informações digitais. No total, são cerca de cem dispositivos eletrônicos apreendidos com aproximadamente vinte alvos da investigação. A operação está na fase intermediária. Novas etapas já estão planejadas.

Vorcaro foi preso na noite anterior à primeira fase da operação, em 18 de novembro de 2025. Ele tentava deixar o país naquele momento. Por isso, os investigados não tiveram tempo de apagar conversas.

O ex-banqueiro se recusou a fornecer as senhas dos celulares. Então, a PF usou softwares especiais para quebrar a proteção. Assim, os peritos recuperaram diálogos que apontam suspeitas de fraude bilionária, lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos.

O primeiro celular de Vorcaro tinha arquivos com criptografia avançada. A PF já conseguiu acessar o conteúdo, mas ainda não terminou de analisar tudo. O cruzamento de dados mostrou que Vorcaro mantinha uma ampla rede de contatos. Essa rede incluía pessoas do Executivo, do Legislativo e do alto escalão do Judiciário.

As apurações também apontam o envolvimento de familiares de Vorcaro. Segundo o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, isso daria ao esquema “contornos de máfia”.

Mensagens e áudios indicam a existência de dois grupos chamados “A Turma” e “Os Meninos”. Esses grupos reuniam policiais, hackers e operadores. Eles monitoravam desafetos e faziam intimidações. A defesa de Vorcaro sempre negou as acusações.

Policiais, servidores do Banco Central e do BRB teriam recebido dinheiro em troca de informações privilegiadas. Essas informações seriam sobre a venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). A PF já afastou os servidores suspeitos.

Os peritos também analisam anotações e capturas de tela nos celulares de Vorcaro. Esses arquivos fariam referência a conversas com o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Moraes, porém, nega que esses diálogos tenham existido. Os arquivos passam por perícia de integridade para confirmar a data e a origem dos registros.

Antes, o ministro Dias Toffoli era o relator do caso. No início de 2026, ele reteve aparelhos e restringiu a análise a apenas quatro peritos. Isso reduziu o ritmo da investigação.

O cenário mudou quando o ministro André Mendonça assumiu a relatoria. Ele autorizou a distribuição do material entre mais peritos federais. Agora, o trabalho pode acelerar, mas ainda deve levar muitos meses.

Compartilhe
0 0 votos
Classificação da notícias
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Gostaríamos de usar cookies para melhorar sua experiência.

Visite nossa página de consentimento de cookies para gerenciar suas preferências.

Conheça nossa política de privacidade.

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x