
BRASÍLIA, 22 de junho de 2026 — A Polícia Federal ainda não terminou a perícia de três celulares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Além disso, os agentes precisam analisar cerca de 60 outros aparelhos eletrônicos apreendidos. A investigação faz parte da Operação Compliance Zero. O trabalho deve durar meses. Se manter o ritmo atual, pode se estender até 2027.
O número de materiais apreendidos cresce a cada nova fase da operação. Os investigadores já encontraram oito celulares usados por Vorcaro em três ações diferentes. Desses, a PF periciou totalmente ou em parte apenas cinco aparelhos.
O primeiro celular foi apreendido na prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025. Esse aparelho contém a maior parte dos documentos importantes até agora.
A PF também analisa milhares de documentos físicos para comparar com as informações digitais. No total, são cerca de cem dispositivos eletrônicos apreendidos com aproximadamente vinte alvos da investigação. A operação está na fase intermediária. Novas etapas já estão planejadas.
Vorcaro foi preso na noite anterior à primeira fase da operação, em 18 de novembro de 2025. Ele tentava deixar o país naquele momento. Por isso, os investigados não tiveram tempo de apagar conversas.
O ex-banqueiro se recusou a fornecer as senhas dos celulares. Então, a PF usou softwares especiais para quebrar a proteção. Assim, os peritos recuperaram diálogos que apontam suspeitas de fraude bilionária, lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos.
O primeiro celular de Vorcaro tinha arquivos com criptografia avançada. A PF já conseguiu acessar o conteúdo, mas ainda não terminou de analisar tudo. O cruzamento de dados mostrou que Vorcaro mantinha uma ampla rede de contatos. Essa rede incluía pessoas do Executivo, do Legislativo e do alto escalão do Judiciário.
As apurações também apontam o envolvimento de familiares de Vorcaro. Segundo o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, isso daria ao esquema “contornos de máfia”.
Mensagens e áudios indicam a existência de dois grupos chamados “A Turma” e “Os Meninos”. Esses grupos reuniam policiais, hackers e operadores. Eles monitoravam desafetos e faziam intimidações. A defesa de Vorcaro sempre negou as acusações.
Policiais, servidores do Banco Central e do BRB teriam recebido dinheiro em troca de informações privilegiadas. Essas informações seriam sobre a venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). A PF já afastou os servidores suspeitos.
Os peritos também analisam anotações e capturas de tela nos celulares de Vorcaro. Esses arquivos fariam referência a conversas com o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Moraes, porém, nega que esses diálogos tenham existido. Os arquivos passam por perícia de integridade para confirmar a data e a origem dos registros.
Antes, o ministro Dias Toffoli era o relator do caso. No início de 2026, ele reteve aparelhos e restringiu a análise a apenas quatro peritos. Isso reduziu o ritmo da investigação.
O cenário mudou quando o ministro André Mendonça assumiu a relatoria. Ele autorizou a distribuição do material entre mais peritos federais. Agora, o trabalho pode acelerar, mas ainda deve levar muitos meses.







