
BRASIL, 11 de agosto de 2026 — O Brasil terminou o primeiro semestre de 2026 com 6.341 empresas em recuperação judicial. Esse é um número recorde. O dado é do levantamento Monitor RGF-Bizdoc. O crescimento foi de 6,2% em relação ao fim de 2025. Porém, esse ritmo é menor que o do ano passado, que tinha sido de 7,3%.
O semestre teve duas fases. Em maio, o estoque chegou ao pico de 6.513 empresas. Em junho, caiu para 6.341. Foram 172 companhias a menos. O coordenador do estudo, Cláudio Damasceno, afirma que um mês só não indica uma mudança de rumo, mas é o primeiro sinal de estabilidade.
Além disso, os pedidos estão mudando de perfil. As micro e pequenas empresas são as que mais buscam esse recurso. Desde 2023, a incidência entre microempresas mais que dobrou. O número delas em recuperação quase triplicou, saindo de 513 para 1.575. Entre as pequenas, o índice cresceu 69%. Já entre as médias, foi de 36%.
Por outro lado, a procura caiu entre as grandes empresas. Muitas delas estão preferindo a recuperação extrajudicial. Damasceno explica que a recuperação judicial virou uma ferramenta mais popular. Antes, era usada só por empresas ricas. Agora, escritórios de advocacia menores também aprenderam a fazer esse tipo de processo.
O cenário econômico ajuda a explicar esse aumento. Juros altos, crédito mais difícil e endividamento grande são os principais motivos. As empresas demoram para pedir ajuda e chegam ao Judiciário já muito endividadas.
As advogadas ouvidas dizem que muitas companhias tentam renegociar dívidas por anos. Só que, nesse meio tempo, perdem a capacidade de se recuperar.
O efeito não atinge só as devedoras. Fornecedores e outras empresas da cadeia produtiva também sofrem. O crédito fica mais caro e os bancos pedem mais garantias. Para as especialistas, a reversão dessa curva depende de juros mais baixos, crédito disponível e melhora da economia.
Enquanto isso não chega, a recuperação judicial deve continuar sendo muito usada.







