
BRASIL, 02 de junho de 2026 — O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) concentram a maioria das ações da Polícia Federal contra o crime organizado no Brasil. É o que mostra um levantamento divulgado nesta segunda (1º).
Os dados indicam que 88% das mais de duas mil prisões realizadas pela corporação desde 2022 envolveram integrantes dessas duas facções.
A Polícia Federal investiga mais de 20 organizações criminosas e duas milícias em seus inquéritos. Documentos obtidos pela TV GloboNews revelam, no entanto, que PCC e CV respondem por quase 90% das prisões. Dessa forma, as duas facções aparecem no centro da maior parte das operações da PF contra o crime organizado no país.
O tráfico de drogas segue como a principal atividade dessas organizações criminosas. Segundo o levantamento, esse crime está presente em 81% das investigações conduzidas pela Polícia Federal. Além disso, os inquéritos também envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro, crimes financeiros e delitos ambientais.
A expansão territorial das facções criminosas também aparece nos números. Mais da metade das prisões (58%) envolveu criminosos com atuação em mais de um estado. Por isso, a segurança pública se tornou uma das principais preocupações dos brasileiros. Esse tema passou a impactar diretamente a avaliação do governo do presidente Lula.
O Palácio do Planalto lançou, em fevereiro, o programa Brasil contra o Crime Organizado. A iniciativa é apresentada como uma das principais apostas da gestão petista para enfrentar o problema.
O programa prevê investimento direto de R$ 1 bilhão no Orçamento de 2026. Inclusive, oferece R$ 10 bilhões em financiamentos do BNDES para Estados que aderirem à medida.
O governo estruturou o pacote por meio de um decreto e quatro portarias. As medidas também regulamentam dispositivos da chamada Lei Antifacção. Paralelamente, Lula tenta avançar com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
O texto elaborado pelo governo amplia a coordenação da União no combate ao crime organizado. A proposta também fortalece a integração entre as forças de segurança.
A PEC, no entanto, ainda não foi pautada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Integrantes do governo atribuem a demora a divergências políticas entre o senador e o Palácio do Planalto.
A proposta também enfrenta resistência de parlamentares e governadores da oposição. Eles enxergam uma possível interferência federal em competências hoje exercidas pelos estados.
CLASSIFICAÇÃO NOS ESTADOS UNIDOS
O governo dos Estados Unidos classificou, na última quinta (28), o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Essa medida contrasta com o entendimento do governo brasileiro.
As autoridades brasileiras afirmam que as facções atuam com objetivos essencialmente econômicos e financeiros. Portanto, não teriam motivações ideológicas típicas de grupos terroristas.
A decisão norte-americana ocorreu na esteira de uma visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao presidente Donald Trump. O senador fluminense também se reuniu com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
Durante a visita, ele defendeu que as facções brasileiras fossem enquadradas como organizações terroristas.







