FÉ MACABRA

Operação resgata mais de 40 em igreja ligada a pastor preso

Andre Reis
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operação igreja
Operação do Ministério do Trabalho, Polícia Federal e MPT-MA encontrou mais de 40 pessoas em condições degradantes na sede da Shekinah House Church.

PAÇO DO LUMIAR, 07 de maio de 2026  Mais de 40 trabalhadores foram resgatados nesta quinta (7) durante uma operação realizada pelo Ministério do Trabalho, Polícia Federal e Ministério Público do Trabalho do Maranhão na sede da Shekinah House Church, em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís.

A ação identificou pessoas submetidas a condições degradantes no imóvel ligado ao pastor David Gonçalves Silva, preso desde abril.

Segundo o MPT-MA, os trabalhadores estavam em situação análoga à escravidão. Além disso, a Vigilância Sanitária interditou o espaço após a fiscalização.

Os resgatados serão encaminhados para acolhimento organizado pela Secretaria de Estado de Direitos Humanos. Parte deles, no entanto, deverá permanecer na propriedade para cuidar dos animais do haras existente no local.

A operação contou ainda com apoio da Polícia Militar, Ministério Público do Estado, Defensoria Pública, assistentes sociais e equipes do Samu. Conforme os órgãos envolvidos, a complexidade da ocorrência exigiu atuação conjunta para garantir segurança e atendimento aos trabalhadores resgatados.

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A sede da igreja já havia sido alvo de investigação em 27 de abril, após denúncias de trabalho degradante. Na ocasião, as buscas não reuniram elementos suficientes para configurar o crime. Entretanto, novas diligências e depoimentos levaram ao avanço das investigações sobre o caso de trabalho degradante no imóvel.

Nos últimos dias, mais de dez pessoas procuraram a polícia para denunciar o pastor David Gonçalves Silva. Ele é investigado por estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa.

Segundo a Polícia Federal, a igreja também funcionava como espaço terapêutico sem regularização legal ou comprovação técnica dos responsáveis.

RELATOS DESCREVEM PUNIÇÕES E CONTROLE

Depoimentos recolhidos durante a operação apontam que fiéis sofriam agressões físicas e psicológicas. De acordo com a investigação, um adolescente permaneceu horas em pé, sem dormir, enquanto escrevia repetidamente a frase “Eu preciso aprender a respeitar meu líder”. O vídeo com o castigo foi anexado ao inquérito policial.

A Polícia Civil informou que o pastor utilizava punições para controlar entre 100 e 150 fiéis. Entre os castigos identificados estavam chicotadas chamadas de “readas”, aplicadas com um reio usado em cavalos. Em um dos episódios investigados, quatro vítimas receberam entre 15 e 25 golpes cada.

Inclusive, áudios atribuídos ao pastor indicam privação de comida como forma de punição. Conforme as investigações, os integrantes eram chamados de “piões”, enquanto os dormitórios recebiam o nome de “baia”. A polícia também apontou monitoramento constante por câmeras e separação entre homens e mulheres dentro da comunidade.

ABUSOS SEXUAIS SÃO INVESTIGADOS

A Polícia Civil informou que os homens eram os principais alvos dos abusos sexuais investigados. Uma das vítimas relatou que sofria manipulação psicológica e afirmou conviver até hoje com lembranças traumáticas do período em que permaneceu na igreja.

Durante o cumprimento dos mandados, os investigadores apreenderam folhas contendo mais de 100 repetições da frase “Eu preciso aprender a respeitar o meu líder”. Segundo a polícia, o material era utilizado como forma de punição aplicada aos integrantes submetidos ao controle interno da instituição.

Outra vítima afirmou que sofreu agressões, isolamento e privação de refeições. Ela relatou ainda que permaneceu trancada em um quarto sem contato com outras pessoas. O material recolhido durante a operação será analisado e anexado ao processo que investiga o caso de trabalho degradante na igreja.

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