
CUBA, 12 de junho de 2026 — Uma organização espanhola de direitos humanos, a Prisoners Defenders, divulgou um relatório que aponta que Cuba encerrou maio com 1.281 presos políticos. Esse é o maior número já registrado no país. Apenas em maio, 28 novos casos foram registrados.
A entidade diz que muitas detenções estão ligadas a protestos. Os manifestantes reclamam de apagões, falta de água, escassez de alimentos e más condições de vida.
O presidente da organização, Javier Larrondo, afirma que os números mostram só uma parte da realidade. Para ele, a crise econômica e social veio acompanhada de mais repressão estatal.
Segundo Larrondo, Cuba enfrenta desde 2021 uma deterioração sem precedentes. Há interrupções constantes de luz, dificuldades de abastecimento e colapso de serviços básicos. A resposta do governo, diz ele, tem sido ampliar perseguições, prisões e ações contra opositores e manifestantes.
O relatório menciona mulheres ativistas entre os novos presos. Também inclui cidadãos que criticaram o governo nas redes sociais e pessoas detidas após protestos pacíficos. A organização denuncia adolescentes presos em cadeias para adultos. Além disso, há relatos de tortura, maus-tratos e falta de assistência médica.
A Prisoners Defenders também destacou a morte de Ernesto Brieva Sempé. Ele foi preso após os protestos de 11 de julho de 2021. Morreu em 13 de maio, após anos de prisão. Ele tinha doença renal crônica, desnutrição e não recebeu tratamento adequado.
Desde 2023, já são seis presos políticos mortos sob custódia do Estado cubano, segundo a entidade.
O relatório ainda aponta 449 presos políticos com problemas graves de saúde. Outros 52 têm transtornos mentais severos. Segundo a organização, nenhum deles recebe atendimento médico adequado nas prisões.
O governo cubano anunciou a libertação de 2.010 detentos. A entidade, porém, contesta o número. Ao avaliar a lista, a Prisoners Defenders identificou apenas um preso político realmente solto. Outro nome da lista continuaria preso.
Larrondo conclui que milhares de famílias sofrem com a prisão de pessoas que pedem melhores condições de vida, liberdade e direitos fundamentais. Para ele, Cuba vive hoje uma das ondas de repressão mais intensas das últimas décadas.







