
BRASÍLIA, 16 de setembro de 2026 — O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, mandou o colega Gilmar Mendes não “encher seu saco” durante uma discussão pelo WhatsApp sobre a atuação da Segunda Turma da Corte. As mensagens foram divulgadas na terça-feira (15) e confirmadas por diferentes veículos de imprensa.
A discussão começou depois de Gilmar questionar a rapidez com que Fux e Kassio Nunes Marques apresentaram seus votos em um julgamento relacionado ao afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Para Gilmar, a movimentação indicaria falta de “postura institucional”.
“Isto revela qualquer coisa menos postura institucional. Espero que não se repita”, escreveu Gilmar. Fux rejeitou a cobrança e afirmou que o colega não tinha autoridade para orientar sua atuação. “Ninguém nesse mundo diz para mim como agir”, respondeu.
Gilmar insistiu e pediu que Fux se limitasse a atuar como presidente da Segunda Turma. Na manhã seguinte, Fux encerrou a conversa com a frase: “Bom dia. Cuide de não encher meu saco”.
O atrito teve como pano de fundo uma sessão virtual na qual Gilmar apresentou pedido de vista logo após a abertura do julgamento. Fux e Kassio, no entanto, registraram seus votos poucos minutos depois. Gilmar interpretou a sequência como sinal de uma articulação prévia.
O processo discutia uma decisão de André Mendonça que havia determinado o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da PF. A medida foi posteriormente revertida pelo ministro Flávio Dino. O episódio aprofundou a divisão entre integrantes da Segunda Turma sobre a condução das apurações relacionadas ao Banco Master.
Em outra troca de mensagens, Gilmar cobrou que Fux e Kassio se afastassem de processos ligados ao banco em razão de referências aos filhos dos dois ministros em dados obtidos durante a investigação.







