
BRASÍLIA, 28 de agosto de 2026 — Não é de agora que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) apoiam o encerramento do Inquérito das Fake News. Aberta há mais de sete anos, a investigação, relatada por Alexandre de Moraes, causa incômodo em parte da Corte há tempos. A proximidade das eleições, contudo, deu nova urgência ao debate.
A Oeste, integrantes do tribunal defenderam, em caráter reservado, o encerramento do procedimento antes de outubro, para evitar “interferência indevida” na eleição.
Outros ministros, embora não estabeleçam a disputa eleitoral como prazo, sustentam que a investigação precisa terminar “quanto antes”. O presidente Edson Fachin, por exemplo, pretende concluí-la até o fim de seu mandato, em setembro de 2027, apurou a reportagem com fontes a par do assunto no STF.
AMPLITUDE DO INQUÉRITO DAS FAKE NEWS
Na semana passada, Oeste mostrou que o prazo do inquérito havia voltado ao centro das conversas entre ministros do STF. O tema ressurgiu novamente depois das medidas determinadas por Moraes contra o jornalista maranhense Luís Pablo.
Na ocasião, um integrante da Corte observou à coluna que a investigação “não tem prazo definido para acabar e atraiu para si assuntos de todos os tipos”.
Em março, por ordem de Moraes, a Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa de Luís Pablo e recolheu equipamentos eletrônicos.
O jornalista era investigado por suspeita de corrupção, divulgação de segredo e fraude processual.
O caso teve início depois da publicação de reportagens sobre o uso de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por Flávio Dino e familiares dele. Posteriormente, Moraes autorizou uma operação contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Estado e apontado como uma das fontes do jornalista.
As medidas reacenderam um desconforto que já existia nos gabinetes do Supremo.
DESDE 2019
O então presidente do STF, Dias Toffoli, instaurou o Inquérito das Fake News em março de 2019. Sem sorteio, escolheu Moraes para conduzir o procedimento.
Inicialmente, a investigação se destinava a apurar supostas ameaças, ofensas e notícias falsas contra ministros do Supremo e seus familiares.
Com o passar dos anos, ampliou seu alcance e passou a reunir apurações relacionadas a ataques contra a Corte e outras instituições.
O inquérito também serviu de origem para outros procedimentos relatados por Moraes, entre eles o das chamadas milícias digitais.
Nesse período, o ministro determinou buscas, bloqueios de perfis em redes sociais, retirada de conteúdos e outras medidas contra investigados.
A forma de instauração, a abrangência e a duração do inquérito provocaram críticas de políticos, juristas e entidades ligadas à liberdade de expressão.
Dentro do Supremo, a defesa de seu encerramento também não é recente. A diferença é que, agora, parte dos ministros vê as eleições como prazo para um desfecho.







