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Ministro de Lula recebeu auxílio emergencial na pandemia

Andre Reis
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Auxílio emergencial de R$ 3 mil foi pago em cinco parcelas. Ministro da Pesca, Édipo Araújo, acumulava bolsa de doutorado e salário de cargo comissionado.

BRASÍLIA, 22 de maio de 2026  O ministro da Pesca, Édipo Araújo, recebeu cinco parcelas do auxílio emergencial durante a pandemia de covid-19 em 2020. O portal Metrópoles revelou os depósitos do benefício na conta do atual ministro. Cada parcela teve o valor de R$ 600, totalizando R$ 3 mil.

Os valores foram posteriormente devolvidos, conforme o Portal da Transparência.

O auxílio emergencial foi lançado em 2020 para amparar desempregados e trabalhadores informais. O benefício também atendia microempreendedores e pequenos empresários afetados pela crise sanitária.

Édipo Araújo recebeu os depósitos entre abril e setembro daquele ano. Na época, ele mantinha salário de até R$ 15,6 mil no Ministério da Agricultura. Além disso, recebia bolsa do Ministério da Educação para doutorado internacional.

Durante parte do período do auxílio, o ministro cursava doutorado sanduíche nos Estados Unidos. Ele estudava na Universidade da Flórida e também na Universidade Federal do Pará. A bolsa era financiada pela Capes, vinculada ao Ministério da Educação.

Em outros meses, ele já atuava em cargo comissionado no Ministério da Agricultura. As remunerações no cargo chegaram a R$ 15,6 mil mensais.

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A assessoria de Édipo Araújo explicou que os pagamentos coincidiram com atrasos e depósitos retroativos. O pedido do benefício foi feito antes da posse no cargo público, segundo o órgão. Por isso, houve sobreposição dos valores posteriormente creditados.

Em abril e maio de 2020, o ministro recebeu simultaneamente R$ 2,2 mil de bolsa e R$ 600 de auxílio. Já em agosto e setembro do mesmo ano, houve acúmulo do salário do ministério com o benefício.

JUSTIFICATIVA DO MINISTÉRIO

O ministério afirmou que os requisitos do auxílio emergencial em 2020 incluíam não ter vínculo de emprego formal ativo. Também era necessário não ser titular de benefício previdenciário. Outra exigência era possuir renda familiar mensal de até três salários mínimos. Segundo o órgão, o ministro preenchia esses requisitos à época.

A assessoria informou que o ministro já residia no Brasil quando pediu o auxílio. Ele não possuía vínculo empregatício ativo naquele momento. O pedido foi protocolado em abril de 2020, quando ele estava sem ocupação formal. Ele havia sido exonerado em novembro de 2019, conforme portaria do Diário Oficial. A nomeação para cargo público ocorreu apenas em julho de 2020. O início das atividades se deu no fim daquele mês.

A assessoria afirmou ainda que o ministro não chegou a sacar os valores. O recurso foi automaticamente devolvido ao governo quando ele assumiu função pública. A partir desse momento, ele passou a não ser mais elegível para o benefício.

TRAJETÓRIA DO MINISTRO

Édipo Araújo ingressou em função técnica na gestão de Jair Bolsonaro (PL). Já sob o governo Lula (PT), ele foi promovido a ministro da Pesca. Ele sucedeu André de Paula (PSD) no cargo.

O ministério é comandado pelo PSD, partido presidido por Gilberto Kassab. Durante o governo anterior, Édipo trabalhou sob a chefia do então secretário da Pesca, Jorge Seif (PL-SC).

O ministério destacou que a nomeação de Édipo Araújo seguiu critérios técnicos. Ele passou por avaliação da Casa Civil e de órgãos competentes. Não houve apontamentos que impedissem sua posse. O ministro é engenheiro de pesca, mestre e doutor na área.

Ele tem carreira consolidada em recursos aquáticos. O doutorado sanduíche nos Estados Unidos ocorreu entre dezembro de 2017 e novembro de 2018. A assessoria esclareceu que a experiência foi temporária e não representou transferência definitiva de residência.

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