
MARANHÃO, 04 de maio de 2026 — O Maranhão registrou 209 conflitos no campo ao longo de 2025, envolvendo 59.511 camponeses. Os dados integram o relatório “Conflitos no Campo Brasil 2025”, elaborado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). O documento será lançado em 5 de maio, em São Luís.
O evento ocorrerá no auditório do Sindicato dos Bancários, no Centro Histórico. Na mesma data, será apresentado o Caderno de Conflitos do Maranhão. A programação coincide com a abertura do Tribunal dos Povos do Maranhão.
O Centro de Documentação Dom Tomás Balduino registrou 55 ocorrências de violência contra pessoas no estado. Ao todo, 51 indivíduos foram diretamente atingidos pelos episódios.
A ameaça de morte lidera os casos, com 21 registros. Em seguida aparecem intimidação (13) e contaminação por agrotóxico (10). Também houve tentativas de assassinato (3) e casos de prisão, humilhação e ferimento (2 cada).
Os conflitos por terra somam 190 ocorrências, o equivalente a quase 91% do total. Nesse eixo, 14.285 famílias foram impactadas em diferentes regiões do estado.
Posseiros lideram entre os grupos atingidos, com 88 registros. Quilombolas aparecem em seguida, com 62, e indígenas somam 23 ocorrências. Outros grupos também foram afetados, em menor número.
Fazendeiros são apontados como principais responsáveis, com 143 ocorrências. Também aparecem empresários, grileiros, madeireiros e agentes públicos em menor escala.
O relatório contabiliza 8 conflitos relacionados à água em 2025. Cerca de 560 famílias foram impactadas por essas ocorrências no estado. A destruição ou poluição de recursos hídricos responde por metade dos casos. Também foram registrados impedimentos de acesso à água e contaminação por agrotóxicos.
O levantamento aponta 11 casos de trabalho escravo no Maranhão em 2025. Ao todo, 135 trabalhadores foram resgatados nessas operações. A pecuária concentra a maior parte das ocorrências, com seis registros. Também aparecem atividades como extrativismo, produção de carvão e pesca.
O relatório registra 40 manifestações no campo ao longo do ano. As mobilizações reuniram 9.340 participantes em diferentes regiões. Os povos indígenas lideram os atos, com 11 registros.
Quilombolas e posseiros aparecem na sequência, seguidos por trabalhadores sem terra e outros grupos.







